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Andorinhões-pretos da muralha de Trancoso em risco devido a obras em plena época de nidificação

A colónia de andorinhão-preto (Apus apus) existente na muralha de Trancoso, provavelmente a maior em Portugal, encontra-se atualmente em perigo devido a obras a decorrer em plena época de reprodução desta espécie protegida, que se encontra atualmente em acelerado declínio em vários países europeus.


Todos os anos, os andorinhões-pretos regressam de África em meados de abril para nidificar.

No entanto, à sua chegada este ano, encontraram em Trancoso uma intervenção promovida pela empresa Monumenta e pelo Município de Trancoso, que está a provocar perturbação direta nestas aves e a destruição irreversível dos seus locais de nidificação, nomeadamente os orifícios e fendas entre as pedras da muralha.


Esta situação configura uma violação do Decreto-Lei n.o 140/99, que protege espécies selvagens e proíbe a destruição de ninhos e a perturbação durante o período de reprodução.


A ocorrência foi identificada no passado dia 21 de abril, durante uma atividade de educação ambiental promovida pelo Agrupamento de Escolas de Trancoso, Laboratório Rural e CERVAS / Associação ALDEIA, com a colaboração do Município de Trancoso.


Foram de imediato estabelecidos contactos com as entidades competentes, incluindo o SEPNA/GNR e o ICNF, solicitando a suspensão urgente dos trabalhos, até ao momento sem resultados efetivos.


Perante a gravidade da situação, foi criado um grupo de trabalho que reúne várias organizações não-governamentais de ambiente com dois objetivos prioritários:
minimizar imediatamente os impactos já existentes desta intervenção e evitar que situações semelhantes se repitam no futuro. As organizações envolvidas neste abaixo-
assinado e esforços – Rewilding Portugal, Quercus / Núcleo Regional da Guarda, SPEA –

Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, andorin, CERVAS / Associação ALDEIA,
Laboratório Rural, Palombar, Hereditas, Confederação Portuguesa das Associações de
Defesa do Ambiente e A Geradora – Cooperativa Integral CRL – apelam às entidades
responsáveis, nomeadamente à empresa Monumenta e ao Município de Trancoso, que
suspendam de imediato a obra e adotem medidas de mitigação urgentes.


Existem exemplos claros, em Portugal e no estrangeiro, de boas práticas que conciliam a conservação do património com a proteção da biodiversidade. Municípios como Guimarães interrompem trabalhos de limpeza das muralhas durante a época de nidificação, enquanto na Lourinhã a presença de ninhos nas fachadas dos edifícios

condiciona a instalação de andaimes. A nível internacional, são muitos os exemplos de restauro de edifícios históricos que contemplam a presença de colónias de andorinhões
e demonstram que é possível, com custos muito reduzidos, agir de forma responsável.


A destruição desta colónia representa não só uma perda ecológica grave, mas também
a eliminação de um elemento integrante da paisagem cultural de Trancoso.


Esta situação ainda pode ser revertida. É necessária vontade, responsabilidade e ação
imediata por parte das entidades envolvidas, bem como uma intervenção eficaz das
autoridades competentes.


As organizações: CERVAS / Associação Aldeia, Rewilding Portugal, Laboratório Rural,
Quercus / Núcleo Regional da Guarda, andorin, Palombar, Hereditas, Confederação
Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) e A Geradora – Cooperativa
Integral CRL