A Serra da Estrela foi oficialmente classificada como Reserva da Biosfera da UNESCO, após a aprovação da candidatura no dia 5 de junho de 2026, durante a 38.ª Sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa “Man and the Biosphere” (MaB), realizada em Hernandarias, no Paraguai. A distinção foi recebida por Flávio Massano, presidente da Câmara Municipal de Manteigas e vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela.
A decisão representa um marco histórico para a região e para os seis municípios abrangidos pelo território da Serra da Estrela — Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia — que passam a ver reconhecido internacionalmente o valor ambiental, científico, cultural e humano de uma das paisagens mais emblemáticas de Portugal.
A aprovação da candidatura coincidiu com a celebração do Dia Mundial do Ambiente, conferindo um simbolismo especial a esta distinção internacional. O reconhecimento resulta de décadas de trabalho dedicado à preservação dos ecossistemas de montanha, à valorização dos recursos naturais e à promoção de modelos de desenvolvimento sustentável.

Com esta classificação, a Serra da Estrela integra a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, que reúne atualmente cerca de 800 territórios em todo o mundo e ocupa aproximadamente 5% da superfície terrestre. Em Portugal, a Serra da Estrela torna-se a 14.ª Reserva da Biosfera reconhecida pela organização.
A nova Reserva da Biosfera abrange uma área de 2.372,99 quilómetros quadrados distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela. O território está organizado em três áreas complementares: uma zona núcleo, destinada à proteção dos valores naturais mais relevantes; uma zona tampão, com funções de mediação ecológica; e uma zona de transição, onde decorrem atividades humanas compatíveis com os princípios da sustentabilidade.
A região destaca-se pela sua riqueza natural, albergando 30 habitats identificados na Diretiva Habitats da União Europeia, além de uma notável diversidade biológica, geológica e paisagística. A presença de espécies endémicas e a estreita ligação das populações locais ao meio natural são apontadas como exemplos de uma convivência equilibrada entre a conservação da natureza e a atividade humana.
A candidatura foi promovida pela Associação Geopark Estrela, no âmbito do processo de cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, iniciado em 2021 e consolidado com a aprovação do Plano de Cogestão em novembro de 2024. O processo contou com a participação de autarquias, instituições, escolas, organizações ambientais, agentes económicos e sociedade civil, unidos em torno de uma estratégia comum para o futuro do território.
Para a Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela, esta distinção reforça o posicionamento da região como uma referência na adaptação às alterações climáticas, na investigação científica, na educação ambiental e na promoção do turismo sustentável. A classificação deverá ainda potenciar novas oportunidades de cooperação internacional e de captação de investimento associado à conservação da natureza e ao desenvolvimento sustentável.
A nova distinção junta-se ao estatuto de Geopark Estrela, atribuído pela UNESCO em 2020, fazendo da Serra da Estrela um dos raros territórios portugueses a reunir duas importantes classificações internacionais da organização. O reconhecimento reforça o prestígio da região, valoriza o trabalho das comunidades locais e consolida uma visão de futuro assente na sustentabilidade, na proteção do património natural e na promoção de um desenvolvimento mais resiliente e competitivo.
