Morreu Francisco Pinto Balsemão, o homem que fez da liberdade um ofício e da palavra um destino

Francisco Pinto Balsemão, fundador da SIC e do semanário Expresso, morreu esta terça-feira, aos 88 anos. Entre a política e o jornalismo, foi um dos mais influentes protagonistas da democracia portuguesa, deixando uma herança que atravessa gerações e moldou profundamente o país.

Figura maior da vida pública nacional, Balsemão foi fundador do Partido Popular Democrático (PPD) – hoje Partido Social Democrata (PSD) – ao lado de Francisco Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota, sendo um dos rostos da Ala Liberal ainda antes da Revolução de Abril.

Após a morte de Sá Carneiro, em 1980, assumiu a liderança do Governo português entre 1981 e 1983, presidindo ao VII e VIII Governos Constitucionais. O seu mandato ficou marcado pela revisão constitucional de 1982, que abriu caminho à adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), consolidando as bases da democracia recém-restaurada.

Paralelamente, a sua vida esteve sempre ligada ao jornalismo. Depois de uma passagem marcante pelo Diário Popular, fundou o Expresso, em 1973, criando um jornal que se tornaria símbolo da liberdade de imprensa e referência editorial em Portugal.

Na década de 1990, Balsemão foi novamente pioneiro ao fundar a SIC – Sociedade Independente de Comunicação, a primeira estação de televisão privada do país, lançada em outubro de 1992. Com ela, quebrou o monopólio da RTP e abriu uma nova era mediática. Em 2001, reforçou o compromisso com a informação rigorosa e plural com a criação da SIC Notícias, o primeiro canal temático de informação em Portugal.

Ao longo da vida, foi distinguido com diversas condecorações nacionais e internacionais. No dia em que completou 88 anos, a 1 de setembro de 2025, foi agraciado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem de Camões, distinção que simboliza o reconhecimento de uma carreira dedicada à palavra, à liberdade e à construção de um país mais informado.

Mais recentemente, manteve-se ativo através do podcast Deixar o Mundo Melhor, onde continuou a refletir sobre o país e o papel da comunicação na sociedade contemporânea.

Discreto e determinado, Francisco Pinto Balsemão deixa um legado que se confunde com a história recente de Portugal: a coragem de fundar, o rigor de informar e a convicção de que a democracia só se cumpre plenamente quando há liberdade para pensar, escrever e falar.

O país despede-se de um homem que foi, acima de tudo, artesão do futuro — um construtor de pontes entre a política, os media e a cidadania.