O Tribunal de Coimbra começa a julgar na segunda-feira uma mulher de 61 anos acusada de burlar o patrão em mais de 80 mil euros, quando era sua empregada doméstica, entre 2015 e 2019.
A mulher, atualmente gerente de seguros a residir no distrito de Aveiro, é acusada de um crime de burla qualificada, através do qual terá lesado em mais de 80 mil euros um homem idoso e doente, que vivia em Coimbra, para o qual trabalhou como empregada doméstica.
A arguida começou a trabalhar para a vítima após ter respondido a um anúncio no jornal Diário de Coimbra com vista à contratação de uma funcionária doméstica, ficando responsável por cuidar da casa, fazer as compras necessárias para a sua alimentação e do assistente, e auxiliar nas várias tarefas do quotidiano, incluindo conduzir o veículo do seu patrão, refere a acusação a que a agência Lusa teve acesso.
De comum acordo, a mulher passou a residir na casa da vítima, que pagaria a sua alimentação, e teria direito a uma folga por semana e a um vencimento de mil euros por mês.
A arguida tinha acesso ao cartão bancário da vítima, para fazer pagamentos relacionados com despesas da casa e outros que assim fossem determinados.
De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), a mulher terá deixado de apresentar as contas à vítima a partir de 2017, alegadamente para utilizar o dinheiro da conta para fazer compras para si.
“Com o passar do tempo, a arguida passou a utilizar o veículo do assistente nas suas folgas, informando-o de que se deslocaria a Aveiro”, tendo passado a ausentar-se mais do que um dia por semana, justificando que seria para consultas médicas.
Segundo o MP, para realizar as tarefas da arguida durante as suas ausências, o assistente terá acabado por contratar uma outra funcionária doméstica.
Da investigação, constam pagamentos em lojas como a Oysho, Luxury Clinic, Zara, Giovani Gali, Calzedonia, Sfera, assim como em vários restaurantes em diferentes cidades do país.
Na fase de inquérito, a arguida sustentou que todas as quantias que usou foram “ofertas” entregues pelo assistente e que os levantamentos terão sido feitos com a autorização do mesmo.
Já a vítima, em declarações para memória futura, garantiu que a arguida lhe terá pedido dinheiro emprestado para pagar despesas com a saúde.
“Contou que, quando a arguida lhe pedia dinheiro emprestado, se mostrava muito triste, dizia que tinha dores e que, se não se tratasse, ia morrer”, lê-se na instrução do processo.
De acordo com o MP, a arguida dizia que precisava de dinheiro para operações e transfusões de sangue, tendo chegado a estar um largo período ausente da habitação da vítima.
Em janeiro de 2019, o assistente deu entrada no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) por causa de problemas gastrointestinais e acabou por ficar internado para recuperação durante 22 dias.
“Desde o dia em que o arguido foi internado no CHUC que a arguida contactava diariamente os filhos do assistente, a quem dizia que este se encontrava a recuperar bem e que da operação não tinham resultado complicações e que por isso não era necessário deslocarem-se até Coimbra para o visitar”, alega o MP.
Quando os filhos da vítima tiveram conhecimento de que o pai estava internado nos cuidados intensivos, foram visitá-lo ao hospital, momento em que a arguida terá demonstrado “desconforto perante a sua presença”.
O MP salienta que, entre dinheiro emprestado, transferências, levantamentos e pagamento de serviços, a arguida terá lesado o assistente em cerca de 82 mil euros.
O julgamento começa na segunda-feira, às 09:30, no Tribunal de Coimbra.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) vai envolver, entre 12 e 14 de maio, cerca de 700 militares na operação de segurança da Peregrinação Internacional ao Santuário de Fátima, informou o comandante do Comando Territorial de Santarém, tenente-coronel Pedro Graça.
Estes militares, de várias unidades e com múltiplas valências, terão como principal tarefa garantir a segurança do Santuário e dos peregrinos, sublinhou a major Mafalda Almeida, porta-voz da GNR, acrescentando haver a “expectativa de que esta peregrinação seja o evento com maior número de pessoas em Portugal antes da Jornada Mundial da Juventude”, que se realiza em agosto e durante a qual se espera a visita do Papa a Fátima.
Pedro Graça, por seu turno, estimou que a multidão de peregrinos esperada em Fátima para a primeira grande peregrinação do ano à Cova da Iria poderá atingir entre 250 e 300 mil pessoas, números verificados antes da pandemia.
Com patrulhas apeadas e a cavalo, um posto móvel de atendimento aos peregrinos e o recurso a drones, além de equipas cinotécnicas e de inativação de explosivos a postos, bem como elementos descaracterizados, a GNR vai aproveitar a peregrinação para “testar e ajustar o dispositivo” tendo em conta as necessidades que se verificarão em agosto com a segunda presença do Papa Francisco no Santuário.
A colaborar com os militares da GNR estará uma equipa multidisciplinar da Guardia Civil espanhola, dando continuidade a uma prática que vem sendo habitual desde há alguns anos.
Em conferência de imprensa realizada hoje, ao fim da manhã, em Fátima, a GNR anunciou, também, que para agosto “estão a ser preparadas mais bolsas de estacionamento”, em articulação com o Santuário de Fátima, tendo em conta que dois parques junto ao Centro Pastoral Paulo VI não vão nessa altera poder receber viaturas, uma vez que ali será instalada a Aldeia Jovem, para participantes na JMJ.
Questionada sobre um eventual aumento dos riscos de segurança, além dos habituais furtos em viaturas, os carteiristas ou as burlas, a porta-voz da GNR foi perentória: “se há mais pessoas, há mais riscos”, embora “não seja expectável que aconteça” em Fátima “alguma situação fora do padrão habitual”.
Mas “estamos sempre a preparar-nos para o pior”, disse a major.
Já quanto ao mês de agosto, Mafalda Almeida frisou que a JMJ em Fátima não será apenas a passagem do Papa, pois “muita gente quererá ir ao Santuário” nos dias em que estiver em Portugal e, logo depois da Jornada haverá a peregrinação de 12 e 13 de agosto, pelo que a operação se estenderá desde um período antes da visita de Francisco à Cova da Iria até ao fim das cerimónias da peregrinação.
As cerimónias, que assinalam o 106.º aniversário das aparições na Cova da Iria, serão presididas pelo cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano.
A presença de Parolin em Fátima é similar à que ocorreu em outubro de 2016, quando presidiu às cerimónias da última peregrinação aniversária daquele ano ao santuário, meses antes da visita do Papa Francisco, que em maio de 2017 canonizou na Cova da Iria os videntes Francisco e Jacinta Marto.
Desta vez, o Secretário de Estado do Vaticano estará em Fátima antes da esperada visita do Papa Francisco à Cova da Iria, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude.
A peregrinação, cujo tema está ligado ao tema proposto pelo Papa Francisco para a JMJ – “Maria levantou-se e partiu apressadamente” – segue o programa habitual, com início no dia 12, sexta-feira, às 21:30, com o terço, seguindo-se a procissão das velas e a celebração da palavra, no altar do recinto.
O reitor da Universidade de Coimbra (UC) recusou hoje divulgar os alegados “factos” que levaram à demissão do diretor do Centro de Estudos Russos, referindo que processo não teve nem teria de ter associado qualquer processo disciplinar.
A UC demitiu na quarta-feira o professor e diretor do Centro de Estudos Russos, Vladimir Pliassov, após este ter sido acusado de “propaganda russa” por dois cidadãos ucranianos a residir em Coimbra, num artigo de opinião publicado no Jornal de Proença.
Questionado hoje pela agência Lusa, o reitor da UC, Amílcar Falcão, afirmou que não “tinha de haver nenhum processo disciplinar” para suportar a demissão do diretor do Centro de Estudos Russos da Faculdade de Letras, que se encontrava reformado e trabalhava a “título gracioso” naquela instituição.
“Houve uma rescisão de contrato de uma pessoa que está reformada. Tinha um vínculo, através de um contrato com a Universidade, mas a título gracioso. Não havia aqui dinheiro envolvido”, esclareceu o responsável, que falava à Lusa à margem de uma cerimónia, na Sala do Senado, em Coimbra.
Questionado sobre se teve conhecimento da situação antes ou depois da denúncia, feita no final do dia de terça-feira, Amílcar Falcão recusou-se a dizer quando é que soube das acusações, vincando, no entanto, que não toma decisões “por impulso”.
“As minhas decisões são fundamentadas e têm sempre um tempo de amadurecimento. Portanto, aquilo que considero que seja essencial está no comunicado de imprensa da Universidade de Coimbra”, acrescentou.
O comunicado divulgado pela UC na quarta-feira apenas refere que foi verificado que as atividades do Centro de Estudos Russos “estariam a extravasar” o ensino exclusivo de língua e literatura russa, sem explicar como.
Amílcar Falcão disse que tem em sua posse “outro tipo de dados” e que “os factos são muito complexos”, mas escusou-se a explicar à Lusa como, quando e onde a atividade daquele centro dirigido por Vladimir Pliassov extravasava a atividade letiva, remetendo sempre para o comunicado da instituição.
“Posso dar explicações à tutela e a outras entidades responsáveis. Publicamente, não vejo qual o interesse disso”, realçou.
O artigo assinado pelos ucranianos Olga Filipova e Viacheslav Medvediev acusa Vladimir Pliassov de “propaganda russa” na Universidade de Coimbra e de ser o principal representante em Portugal da fundação Russkiy Mir (instituição criada por Vladimir Putin e suportada por Moscovo, que tem como principal objetivo a promoção da língua e cultura russas).
Os dois “ativistas” acusam o professor de utilizar símbolos conotados com a invasão do território ucraniano, como a fita de São Jorge, símbolo usado para celebrar a vitória da União Soviética contra a Alemanha Nazi, mas que no século XXI ganhou outra carga, estando associada a movimentos separatistas pró-russos tendo sido proibido em vários países da Europa de Leste.
Os autores mostram também fotografias de jovens (sem se perceber o seu contexto) com cartas onde se lê que são do “Sul da Ucrânia” ou da “República Popular de Donetsk”, como “entidades geográficas separadas e válidas”.
As imagens utilizadas pelos dois autores sobre o uso da fita de São Jorge e das cartas das jovens foram todas retiradas de um vídeo no canal de Youtube do Centro de Estudos Russos, publicado em fevereiro de 2018 (quatro anos antes do início da guerra na Ucrânia) e sem se conseguir perceber em que contexto, local ou data em que cada imagem foi publicada (o vídeo assume-se como uma espécie de foto ‘slide’).
Segundo a Universidade de Coimbra, com a invasão russa da Ucrânia, a Universidade de Coimbra cessou o vínculo que tinha com a fundação Russkyi Mir, “que até dezembro de 2021 apoiava o ensino de língua e cultura russa no Centro de Estudos Russos da Faculdade de Letras”.
“Em respeito pelo povo e pela cultura da Rússia, após o corte dessa ligação contratual, o referido Centro de Estudos Russos foi mantido em funcionamento, com recursos próprios da UC, para ensino exclusivo de língua e literatura russa”, esclareceu.
Na mesma nota de esclarecimento enviada à Lusa, a Universidade de Coimbra (UC) salienta que é uma “instituição profundamente comprometida com os valores europeus e totalmente solidária com a Ucrânia no contexto da agressão russa”.
Até ao momento, a agência Lusa não conseguiu obter esclarecimentos junto de Vladimir Pliassov.
Um administrador judicial optou hoje por remeter-se ao silêncio no arranque do julgamento no Tribunal de Aveiro, em que é acusado de se ter apropriado indevidamente de quase meio milhão de euros de empresas falidas.
O arguido, que chegou a estar suspenso preventivamente do exercício da sua atividade como administrador judicial, encontrando-se atualmente no ativo, está acusado de dois crimes de peculato.
Os factos ocorreram no período entre 2015 e 2017, quando o arguido se terá apropriado de quantias monetárias pertencentes a duas massas insolventes em dois processos que correram termos nos Juízos de Comércio de Coimbra e de Lisboa.
De acordo com a investigação, o arguido fez transferências para a sua conta e efetuou vários levantamentos em dinheiro sem documentos que o justificassem, sem autorização ou conhecimento da comissão de credores, tendo-se apropriado de cerca de 495 mil euros.
A menos de três meses da esperada visita do Papa Francisco a Portugal, os caminhos que levam a Fátima voltam a encher-se de peregrinos, retomando a normalidade pré-pandémica dos dias antes de 12 e 13 de maio.
Hoje, no percurso entre o Barracão, no concelho de Leiria, e Fátima, são milhares os que percorrem a pé os últimos quilómetros da peregrinação, muitos pela primeira vez, outros com já muitas viagens até ao Altar do Mundo nas pernas.
No posto de assistência aos peregrinos da Ordem de Malta instalado no Barracão, são muitos os que vão parando para uma massagem, uma lavagem de pés ou, simplesmente, uns minutos de descanso.
Rui Alves, coordenador operacional do apoio aos peregrinos na Ordem de Malta, com 28 anos de voluntariado, diz à agência Lusa que o principal problema com que os caminhantes chegam ao posto “é o cansaço extremo”.
“Felizmente, no grupo dos Caminhos de Fátima, tem-se feito um trabalho de sensibilização junto dos guias de peregrinos. Damos alguma formação, informamos que tipo de percursos é que devem fazer, que cuidados é que devem ter… e os peregrinos vêm com mais preparação”, admite.
Com uma equipa totalmente constituída por voluntários, Rui Alves explica que o efetivo da Ordem de Malta em cada posto “ronda os 45 a 50 pessoas”, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, entre outras valências.
Já Bernardo de Sousa Ribeiro, presidente do Corpo de Voluntários da Ordem de Malta, sublinha que são cerca de 120 os voluntários que a Ordem tem envolvidos no apoio aos peregrinos, dando resposta a um dispositivo distribuído entre Águeda e o interior do Alentejo.
“Os peregrinos já vêm mais bem preparados. Têm formação, vêm mais bem equipados em termos de calçado, o que leva a que, cada vez menos, recorram ao nosso serviço. Aqueles que recorrem já é em situações mesmo críticas”, adianta este responsável, acrescentando que “ao nível da coordenação do apoio às peregrinações a Fátima, são feitas duas reuniões, em fevereiro, com grupos de peregrinos, quer do norte, quer do sul, precisamente para dar essa preparação, essa formação, não só em termos de questões logísticas, mas também sobre os cuidados que os grupos devem ter ao longo da peregrinação para evitar que se cheguem a situações extremas de problemas de saúde”.
Estando envolvidos no apoio aos peregrinos de Fátima em maio e outubro, o Corpo de Voluntários durante o ano tem outras tarefas, como “apoio a peregrinações a Santiago, atividades assistenciais noutros âmbitos, seja no apoio a crianças e famílias desfavorecidas, apoio a reclusos nalguns estabelecimentos prisionais, apoio a crianças no estudo”, explica Bernardo de Sousa Ribeiro.
Enquanto fala com a Lusa, o presidente do Corpo de Voluntários da Ordem de Malta vê passar dezenas de peregrinos a caminho de Fátima, interpretando as razões que levam tanta gente a calcorrear tantas dezenas, ou centenas de quilómetros.
“Continua a haver peregrinos que fazem a peregrinação por razões de fé, mas também há os que vêm para saber como é que é. É uma outra forma de ver toda esta dinâmica das peregrinações. Mas o essencial são as pessoas que vêm a pagar promessas ou para ter uma experiência mais de nível espiritual”, reconhece este responsável, olhando já para o próximo desafio, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), para a qual a Ordem de Malta já tem mais de 40 voluntários integrados nas equipas de voluntariado da organização.
“Como Ordem de Malta anfitriã [da JMJ], estamos a apelar às nossas congéneres, sobretudo na Europa, que também se mobilizem para a jornada, e estamos a ter forte adesão, desde logo de Espanha, mas também da Alemanha, de Itália e de França”, sublinha Bernardo de Sousa Ribeiro.
Poucos quilómetros depois deste posto, Gil Reis, peregrino de Penafiel, de onde saiu no dia 05 de maio, prepara-se para se fazer de novo à estrada, na companhia de Aida Costa, de Baltar, Paredes, e Maria do Carmo, de Marco de Canaveses.
“Temos momentos bons, muita emoção, fé, que nos faz refletir muita coisa e rezar por nós, pela nossa família, pelos nossos amigos, pelas pessoas menos boas e pela JMJ, um evento único no país, e pela paz na Ucrânia”, diz Gil Peres, enquanto Aida diz estar a caminho da Cova da Iria “numa missão” que descobriu no caminho, afirmando estar a viver “uma experiência fantástica”.
Sobre o grande número de peregrinos na estrada, Maria do Carmo encontra uma explicação: “talvez a situação que estamos a passar a nível mundial. Foi a pandemia, agora a guerra, isso comove o ser humano com fé e o traz a vir pedir, a ver se as coisas melhoram”.
Quem não tem dúvida de que as coisas vão ficar melhores rapidamente são as dezenas de peregrinos que se concentravam, cerca das 12:00, no posto avançado da Obra do Bem-Fazer, de Paredes, que nesta peregrinação está a enquadrar mais de 500 pessoas em direção ao Santuário.
Em grandes panelões, vários homens iam mexendo a carne que iria, pouco depois, acompanhar o resto dos ingredientes num gigantesco arroz à valenciana para 620 pessoas.
Maria Fernanda, que há 18 anos apoia a Obra do Bem-Fazer, diz à agência Lusa que no apoio aos cerca de meio milhar de peregrinos estão envolvidos 120 voluntários. Para este almoço, esses voluntários prepararam 60 quilogramas de carne de vaca, 30 de carne de porco, 12 de ameijoa descascada e 12 com casca, 12 de miolo de camarão e 12 de camarão inteiro, nove de cenouras, 12 de ervilhas e cerca de 30 de arroz.
Tudo em grande, só possível com “uma equipa fantástica”, que prepara mais de 1.800 refeições por dia (pequeno-almoço, almoço e jantar, além de um pequeno lanche a meio da manhã). Diariamente, este grupo recebe 1.800 pães que, como os frescos, são adquiridos localmente.
Depois de almoçarem, o caminho continua e, poucos metros mais à frente, passam junto à imagem de N.ª Sr.ª de Fátima, em Saramago, Caranguejeira, onde muitos deixam coletes refletores, camisolas, bonés ou cachecóis, símbolos de uma jornada perto do fim.
Ali, Ricardo Faustino, de Trancoso, emigrante na Suíça, visivelmente cansado, acredita que a emoção que sentirá ao chegar a Fátima “vai ser enorme”.
Companheiro de jornada de Ricardo, mas vindo de Vila Pouca de Aguiar, Alcides Sabrosa, faz questão de dizer que não está a cumprir qualquer promessa, mas “só agradecer”.
“O que tenho chega-me”, acrescenta, a poucas horas de poder agradecer em plena Capelinha das Aparições.
As cerimónias, que assinalam o 106.º aniversário das aparições na Cova da Iria, serão presididas pelo cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano.
A presença de Parolin em Fátima é similar à que ocorreu em outubro de 2016, quando presidiu às cerimónias da última peregrinação aniversária daquele ano ao santuário, meses antes da visita do Papa Francisco, que em maio de 2017 canonizou na Cova da Iria os videntes Francisco e Jacinta Marto.
Desta vez, o Secretário de Estado do Vaticano estará em Fátima antes da esperada visita do Papa Francisco à Cova da Iria, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude.
A peregrinação, cujo tema está ligado ao tema proposto pelo Papa Francisco para a JMJ – “Maria levantou-se e partiu apressadamente” — segue o programa habitual, com início no dia 12, sexta-feira, às 21:30, com o terço, seguindo-se a procissão das velas e a celebração da palavra, no altar do recinto.
O início do julgamento do presidente da Câmara de Penamacor, António Beites, acusado dos crimes de prevaricação de cargo político e de falsificação de documento, está marcado para 13 de junho.
No Juízo Central Criminal de Castelo Branco estão agendadas sessões para os dias 13 e 27 de junho.
O presidente do município de Penamacor, no distrito de Castelo Branco, foi acusado pelo Ministério Público dos dois crimes relativos a um alegado ajuste direto de obras que já estariam feitas.
Além do autarca socialista, a cumprir o terceiro mandato, também foram acusados da prática dos mesmos crimes o ex-chefe de divisão do departamento de obras e uma técnica do município, bem como o sócio-gerente e um funcionário da Sociedade António J. Cruchinho e Filhos, à qual foi atribuída a empreitada.
O Ministério Público (MP) considera que os arguidos agiram em coautoria e “encenaram” e “simularam” os trâmites legais do procedimento para a repavimentação de uma estrada e para a reparação do caminho de acesso à Reserva Natural da Serra da Malcata.
De acordo com a acusação, a que a agência Lusa teve hoje acesso, a estrada e o caminho foram alvo de uma intervenção entre 2014 e 2015, mas não foi feita qualquer obra no âmbito do ajuste direto realizado posteriormente.
O MP diz que, já em 2017, o autarca decidiu “compensar financeiramente” a empresa pelo desenvolvimento dos trabalhos efetuados em 2014/2015, acusando os restantes arguidos de terem concordado no propósito e de terem participado na elaboração de várias peças processuais do ajuste direto.
Descrevendo cada passo do processo, que se prolongou até 2019, O MP considera que aquela empreitada, no valor de quase 158 mil euros, “não foi efetivamente prestada” e que o procedimento foi fabricado”, mais não sendo do que “um mero simulacro”, destinado a dar a “aparência” da execução.
Para o MP, os arguidos agiram de acordo com “um plano que previamente arquitetaram” e que tinha o “único propósito de proporcionar um ganho patrimonial ilícito à sociedade arguida”.
A acusação salienta ainda que os arguidos violaram princípios e normas legais a que estavam obrigados e vinca que a atuação de António Beites revela “o seu desprezo pela natureza e importância das funções autárquicas que lhe foram conferidas e evidencia a falta de condições para o exercício de cargos similares”.
O MP defende que, em caso de condenação, deve ser declarada a pena acessória de perda de mandato que António Beites exerce ou venha a exercer e acrescenta que este também deve ficar “sujeito à eventual declaração de inelegibilidade em atos eleitorais”,
É ainda pedida a proibição do exercício de funções públicas para a atual funcionária e ex-funcionário do município e a proibição da celebração de contratos com qualquer entidade pública para a empresa.
A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, considerou hoje que a elaboração do projeto de uma “estrada verde” de ligação de três municípios do Parque Natural da Serra da Estrela é “determinante” para revitalizar o território.
Estamos a começar o projeto pelas fundações, porque o projeto tem de dar a prova de que é exequível no tempo. E este é o tempo. Também estou de acordo com os nossos autarcas. Se não fizermos agora este projeto, não teremos mais condições para o fazer, até porque não podemos ignorar que este projeto surge no âmbito de outro trabalho que também estamos a fazer, que é o Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE)”, afirmou a governante.
Ana Abrunhosa presidiu hoje, em Gouveia, no distrito da Guarda, à celebração de um contrato intermunicipal entre as autarquias de Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, para a elaboração do projeto de uma “estrada verde” de ligação dos territórios ao maciço central da serra da Estrela.
No âmbito do acordo, os três municípios estabeleceram o contrato que vai permitir a requalificação e pavimentação de um caminho florestal que existe entre Videmonte (Guarda) e que faz ligação com Linhares da Beira (Celorico da Beira) e Alto da Portela, Calçada dos Galhardos, Senhora da Assedasse (Folgosinho, Gouveia) até à entrada no concelho de Manteigas.
Na opinião de Ana Abrunhosa, o projeto “é absolutamente determinante para revitalizar, também, o PNSE, e para ter vida na serra da Estrela”.
Segundo a ministra, as calamidades, como é o caso dos incêndios, são originadas “pelo abandono” dos territórios.
“E, nós, mesmo tendo valores naturais e ambientais a preservar, sabemos que esses valores naturais e ambientais devem e podem conviver com o ser humano. Nós temos de humanizar estes territórios, estes patrimónios naturais, porque, sem o homem, eles ficam abandonados”, sustentou.
E prosseguiu: “E, portanto, nós não queremos museus onde, depois, vem a calamidade e transforma o museu em deserto, em destruição, para nossa pena, porque isto é nosso, isto é o nosso maior património”.
Na sua intervenção, Ana Abrunhosa também referiu que, independentemente das ajudas do Governo, as iniciativas dos autarcas são importantes para dinamizar a economia.
Alertou, ainda, que promover o desenvolvimento sustentável da região e do ecossistema da serra da Estrela é “uma responsabilidade de todos”, mas será “mais fácil” se o território estiver habitado, se for vivido e se for valorizado.
“Sabemos que pensar, planear e gerir a serra da Estrela não é, nem pode ser, um ato isolado. É um exercício participado, é um compromisso de todos. E é por isso que estamos aqui hoje”, disse.
A terminar, Ana Abrunhosa dirigiu-se aos autarcas e garantiu: “Contem com o nosso compromisso. (…) Faremos o ‘caminho verde’ em conjunto”.
Por sua vez, a secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, valorizou o projeto da “estrada verde” porque a aposta na mobilidade “é essencial para evitar o isolamento das populações” e para criar condições que fixem e atraiam cada vez mais pessoas.
“Este não é um caminho qualquer. É um caminho que passa e que potencia um dos territórios mais emblemáticos que temos com maior potencialidade e que mais significa para Portugal, que é a serra da Estrela. E, portanto, também permitirá tirar partido de toda a riqueza paisagística e [de] todo o património vastíssimo”, disse.
De 19 a 21 de maio, o Festival i! chega à cidade de Águeda, para a 14ª edição desta que é uma verdadeira festa das artes de palco para público infantil e familiar. A noite de abertura é no CAA – Centro de Artes de Águeda, com espetáculo Mão Verde II. O programa detalhado e os bilhetes estão disponíveis em dorfeu.pt/i.
Depois de alguns anos em dupla (com Capicua e Pedro Geraldes) e uma anterior passagem pelo Festival i!, Mão Verde regressa agora em quarteto para a noite de abertura da 14ª edição, no dia 19 de maio, às 21h30, no CAA – Centro de Artes de Águeda. Os bilhetes estão disponíveis no local e em ticketline.pt. O início das manhãs de sábado (20) e domingo (21), na Biblioteca, é dedicado aos bebés.
No sábado, com “Malas e Fraldas” (Catrapum Catrapeia), no domingo com a estreia de Ovo Bebé, nova criação d’Orfeu AC. Simultaneamente, no Parque da Alta Vila, decorrem Oficinas e instalações interativas, de acesso livre. As tardes serão passadas no recinto da Casa do Adro, onde os espetáculos, jogos e animações vão circular entre o Auditório do CEFAS, o Auditório Ana Paula Silva e as Cavalariças do Cancioneiro. Baal17, WETUMTUM, PédeXumbo, Companhia Certa, Marionetas de Mandrágora, 5ª Oficina e Claire Ducreux são alguns dos artistas e companhias que vão passar pela 14ª edição do Festival i!. Organizado pela d’Orfeu AC, em coprodução com o Município de Águeda e com o apoio da Direção-Geral das Artes, o festival terá também sessões escolares durante a semana, levando a algumas escolas do concelho os espetáculos “A Boa Sentença do Sultão” (Alma d’Arame) e “Os Medos da Matemática” (ASTA Teatro). O programa detalhado, bilhetes e os descontos em vigor podem ser consultados em dorfeu.pt/i.
Está também a decorrer online, até 11 de maio, o processo de acreditação para programadores culturais. Música, teatro, jogos, livros… Tudo a pensar nos bebés, crianças e toda a família. O Festival preferido dos mais novos está aí à porta e não faltam motivos para festivalar fora de casa.
Jogador do Arouca superou a concorrência de Paulo Vítor e Diogo Costa.
A Liga Portugal anunciou, em forma de comunicado emitido através das plataformas oficiais ao final da manhã desta quarta-feira, que Ignacio de Arruabarrena é conquistou o prémio de melhor guarda-redes do campeonato nacional, em abril.
O uruguaio de 26 anos vê, desta maneira, reconhecido aquele que foi um mês praticamente ‘imaculado’, no qual ajudou o Arouca a somar três vitórias, um empate e uma derrota ao cabo de cinto jornadas da I Liga, concedendo apenas dois golos (nas deslocações aos terrenos de Sporting e Rio Ave).
O ex-Montevideo Wanderers mostrou-se, particularmente, eficaz no capítulo das grandes penalidades, defendendo, nada mais, nada menos, do que três remates realizados a partir da marca dos 11 metros, durante este período.
Um registo que valeu a Ignacio de Arruabarrena os votos de 30,16% dos treinadores que militam no principal escalão do futebol português, o que lhe permitiu superar a concorrência de Paulo Vítor, do Desportivo de Chaves (com 20,63%), e de Diogo Costa, do FC Porto (com 14,29%).
Vinte e três concelhos dos distritos de Faro, Portalegre, Castelo Branco e Santarém apresentam hoje um perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Cerca de 50 outros concelhos de Faro, Beja, Lisboa, Coimbra, Leiria, Santarém, Viseu, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Aveiro, Vila Real e Bragança apresentam perigo muito elevado de incêndio.
O IPMA colocou ainda vários concelhos de todos os distritos do continente, exceto Porto e Viana do Castelo, em perigo elevado de incêndio.
O perigo de incêndio, determinado pelo IPMA, tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo.
Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.
O Instituto prevê pelo menos até domingo um agravamento do risco de incêndio rural.
Desde o início do ano, as 2.591 ocorrências de fogo já afetaram 7.671 hectares de espaços rurais.
O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado, apresentando períodos de maior nebulosidade por nuvens altas nas regiões Norte e Centro, descida das temperaturas, em especial nas regiões do Norte e Centro e acentuado arrefecimento noturno.
Está também previsto vento fraco a moderado de norte/noroeste, soprando moderado a forte e com rajadas até 75 quilómetros por hora no litoral oeste, no barlavento algarvio e nas terras altas.
Por causa do vento forte, o IPMA colocou hoje os distritos de Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro sob aviso amarelo devido à previsão de vento forte entre as 12:00 de hoje e as 22:00 de sexta-feira.
Na quinta-feira, o aviso amarelo de vento forte estende-se aos distritos de Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo.
O aviso para estes distritos vai estar em vigor entre as 12:00 de quinta-feira e as 22:00 de sexta-feira.
O IPMA prevê para hoje no continente temperaturas mínimas a oscilar entre os 6 graus Celsius (em Bragança) e os 17 (em Faro) e as máximas entre os 19 (na Guarda e no Porto) e os 31 (em Faro).