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CANTANHEDE: Câmara volta a ser distinguida como autarquia familiarmente responsável

A Câmara Municipal de Cantanhede, no distrito de Coimbra, foi considerada novamente “Autarquia Familiarmente Responsável”, sendo o “único município da região a ser distinguido desde a primeira edição do projeto”, foi hoje anunciado.

O galardão, criado pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, pretende “dar visibilidade às autarquias que se destaquem por práticas amigas das famílias”.

Em 2022, o número de municípios que receberam o galardão aumentou, integrando Cantanhede o “restrito lote dos que têm vindo a ser reconhecidos a esse nível desde a primeira edição do projeto, sendo aliás o único da região de Coimbra nessa situação”, sublinha a autarquia.

“O Município de Cantanhede é uma referência nesta área”, considera, citada na mesma nota, Helena Teodósio, aludindo ao facto de a Câmara Municipal a que preside “ter visto reconhecido em 14 anos consecutivos os resultados do trabalho desenvolvido no âmbito das políticas pró-família que tem vindo a adotar”.

ARGANIL: Mulher de 20 anos detida por suspeita de tráfico de droga

A GNR deteve, na segunda-feira, uma mulher de 20 anos, por suspeita de tráfico de estupefacientes, no concelho de Arganil, no distrito de Coimbra, informou hoje aquela força de segurança.

Em comunicado, a GNR esclareceu que, no âmbito de uma ação de fiscalização rodoviária, os guardas abordaram um veículo, sendo que no momento da fiscalização detetaram produto estupefaciente no seu interior.

No decorrer das diligências policiais foi efetuada uma busca sumária ao veículo e uma revista pessoal à condutora, que culminou na apreensão de 14 doses de haxixe, 18 doses ‘ecstasy’ e 17 doses de MDMA.

A detida foi constituída arguida e os factos comunicados ao Tribunal Judicial de Arganil.

Mau tempo: BE de Santa Maria da Feira denuncia infiltrações na Escola Básica de Espargo

O BE de Santa Maria da Feira vai questionar o Ministério da Educação e a câmara local sobre as “graves infiltrações na Escola Básica de Espargo”, por entender ser “nocivo” para os alunos, anunciou hoje o partido.

“O Bloco de Esquerda teve conhecimento que existem graves infiltrações na Escola Básica de Espargo, em Santa Maria da Feira. Estas infiltrações assumem um estado que se torna extremamente nocivo para a saúde dos alunos e restante comunidade escolar”, lê-se no comunicado enviado à Lusa.

Acrescenta o partido que “todos os dias, as escassas funcionárias da escola são obrigadas a despender imenso tempo a limpar a água que se encontra pelos corredores e pelas paredes, fazendo tudo o que podem, mesmo sem meios para resolver minimamente o problema. O papel de parede, mesmo que reforçado, caiu de tanta humidade, realçando assim a precariedade em que o edificado se encontra”.

Apontando o dedo à Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, o BE acrescenta que a ser verdade as afirmações de terceiros de que a autarquia foi avisada e que nada foi feito, ”devem ser assumidas as devidas e profundas responsabilidades políticas de Emídio Sousa [presidente da câmara] e ainda do vereador Gil Ferreira, com a tutela da Educação no município”.

Afirmando-se “solidário” com os alunos, corpo docente e não docente daquela escola, o BE sublinhou que “acompanha inequivocamente as reivindicações dos encerrados de educação que exigem obras urgentes”.

“Assim sendo, iremos questionar atempadamente o Ministério da Educação e a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira acerca do sucedido, de modo a que se apurem as responsabilidades acerca do sucedido”, revela o partido que procurará, também, junto do município saber se “existem mais casos como este no concelho, em qualquer grau de ensino. E, se sim, o porquê de ainda não terem sido resolvidos”.

A Lusa tentou uma reação do Agrupamento de Escolas Fernando Pessoa e da Câmara Municipal, mas até ao momento não foi possível.

Natal e Ano Ano com mais acidentes e mortos nas estradas portuguesas

No período do Natal e do Ano Novo registaram-se nas estradas portuguesas 5.745 acidentes, mais 797 do que em igual período do ano passado, e 22 mortos, mais seis, revelou hoje a Segurança Rodoviária.

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) apresentou hoje o balanço da sinistralidade registada durante o período do Natal e do Ano Novo, entre 19 de dezembro e 02 de janeiro, que ficou marcado por mais acidentes e mais mortos, enquanto os feridos graves e ligeiros diminuíram ao registarem-se 81 e 1.316 respetivamente, menos dois e menos 62 em relação a período homólogo do ano passado.

Segundo a ANSR, o aumento da sinistralidade no Natal e Ano Novo traduziu-se num crescimento, face ao período homólogo, no número de vítimas mortais de 22,3% e no número de acidentes de 16,1%.

As 22 vítimas mortais foram provocadas por 21 acidentes que ocorreram nos distritos do Porto (5), Lisboa (4), Faro (3), Aveiro (2), Setúbal (2), Beja (1), Coimbra (1), Leiria (1) e Santarém (1), bem como nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, com uma vítima mortal em cada.

Na sessão de balanço da campanha de Natal e Ano Novo da ANSR, que este ano teve como lema “O Melhor Presente é Estar presente”, foram também divulgados os dados da fiscalização, tendo as autoridades fiscalizado, entre 19 de dezembro e 02 de janeiro, 5,6 milhões de veículos e registado 51,4 mil infrações.

Segundo a ANSR, foram registados 23,1 mil autos em veículos que circulavam em excesso de velocidades e 1.625 condutores apresentaram uma taxa de alcoolemia superior à máxima permitida, do que resultou um total de 811 detenções, mais 124 do que no ano anterior.

Sobre os condutores com excesso de álcool, nomeadamente o aumento do numero de detenções, a secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, considerou que há “uma legislação adequada à realidade que tem vindo a ser posta em prática pelas autoridades”.

“Não me parece que seja um problema de legislação ou de coimas, eles existem e são aplicados, é um problema de mudança de paradigma e de mentalidades”, disse Patrícia Gaspar, em declarações aos jornalistas.

A secretária de Estado precisou que “é sobretudo uma mudança de mentalidade e perceber que conduzir sob o efeito do álcool não é de todo aceitável” e sustentou que “é uma prática que tem de ser erradicada”.

A governante referiu que a fiscalização tem vindo a aumentar, o que também permite identificar mais infrações.

Patrícia Gaspar disse ainda que a fiscalização, sensibilização, campanhas e reforçar a educação vão contribuir para uma mudança de comportamento.

Ainda não há dados consolidados sobre a sinistralidade rodoviária registada em Portugal no ano passado, tendo a secretária de Estado avançado apenas que os números provisórios indicam que morreram nas estradas 459 pessoas.

Oliveira de Azeméis. Jovem de 21 anos morre após acidente de mota

Um homem de 21 anos morreu na última madrugada na sequência de um despiste de mota em Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro, informou, esta terça-feira, a GNR.

Segundo a mesma fonte, o acidente ocorreu cerca das 01:30, na rua Frei Caetano Brandão, no centro da cidade de Oliveira de Azeméis.

A vítima foi transportada ainda com vida pelos Bombeiros de Oliveira de Azeméis para o hospital local, onde viria a morrer.

O Núcleo de Investigação Criminal de Acidentes de Viação da GNR está a investigar as causas do acidente.

Fundão. Homem morre em acidente de trabalho após ser atingido por árvore

Um homem de 62 anos morreu, esta terça-feira, na freguesia de Pêro Viseu, concelho do Fundão, no decorrer de um trabalho de abate de árvores, disse à agência Lusa fonte da GNR.

O alerta para o acidente foi dado cerca das 11:20 e o óbito foi confirmado no local pelo médico da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

Em declarações à agência Lusa, o comandante do Destacamento Territorial da GNR do Fundão, David Canarias, explicou que o homem estaria a realizar um abate de árvores, quando foi atingido.

A vítima mortal estaria acompanhada por outros trabalhadores, que ainda tentaram socorrê-lo, sem sucesso.

De acordo com o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Beira Baixa, foram mobilizados para o local os Bombeiros Voluntários do Fundão, a equipa da VMER e a GNR, num total de 14 operacionais e seis veículos.

Município da Lousã contra a proposta de subida do tarifário da ERSUC para os próximos anos

Autarquia já manifestou a sua posição junto da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos

O Município da Lousã manifestou, no passado dia 20 de dezembro, através de uma tomada de posição escrita remetida à Presidente do Conselho de Administração da ERSAR e, também, no Conselho Consultivo da ERSUC, a sua total discordância relativamente ao brutal aumento de tarifa preconizado pela ERSAR para 2023 e 2024, bem como em relação à inexistência de medidas de incentivo ao aumento da eficiência da gestão da ERSUC.

Esta tomada de posição – consentânea com as já assumidas pela CIM Região de Coimbra, pela APIN e mais recentemente pela Assembleia Intermunicipal da Região de Coimbra –  defende, a curto prazo os interesses dos consumidores e do Município em relação ao tarifário completamente desajustado que a ERSAR pretende aprovar, mas, também, os interesses a médio e longo prazo, uma vez que reivindica a necessidade de medidas que promovam a eficiência e a sustentabilidade desta empresa para o futuro, sem penalizar constantemente os consumidores.

Foi também, ontem, subscrita pelo Executivo Municipal uma Moção apresentada pelos Vereadores eleitos pelo PSD com teor semelhante.

De referir que a ERSAR pretende aprovar um aumento da tarifa de 160,3% em quatro anos, se compararmos a tarifa de 2024 (75,37 €/ton) com a tarifa de 2020 (28,96 €/ton). Este aumento, terá um impacto significativo na fatura paga pelos munícipes.

De destacar, também, que, em 2015, apenas 37% do volume de negócios da ERSCUC era obtido por vida da tarifa. Em 2021 a tarifa corresponde a 59% do volume de negócios desta empresa.

Entende a Câmara Municipal da Lousã que este caminho leva a que, mais uma vez, os Municípios/Clientes sejam penalizados, dando resposta via tarifa à falta de uma gestão mais eficiência da concessionária, nomeadamente na procura de soluções que possam complementar e/ou atenuar esta situação (ex: atividades complementares, biogás, recicláveis).

A Autarquia manifestou ainda a sua preocupação relativamente à cada vez menor capacidade de resposta e de inovação da ERSUC. 

Ao assumir esta posição e outras questões mais técnicas que foram remetidas na tomada de posição, a ERSAR dá suporte à falta de procura de soluções para aumentar a eficiência por parte da ERSUC, não existindo atualmente incentivo à ERSUC em reduzir os seus custos operacionais por forma a mitigar os aumentos de tarifa.

Miranda do Corvo: Sindicato de profissionais da Educação avisa que janeiro vai ser de grande luta

O presidente do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) alertou hoje que o mês de janeiro vai ser de grande luta em defesa da escola pública, salientando que o protesto não vai parar “tão cedo”.

Numa conferência de imprensa junto à entrada da Escola José Falcão, em Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, André Pestana salientou que a luta iniciada em dezembro em defesa da escola pública visa “melhores condições de trabalho dos docentes, mas também melhores condições de aprendizagem para os alunos”.

“Prevemos que janeiro vai ser um mês de grande luta, que vai culminar no dia 14 com uma grande marcha em Lisboa”, disse o dirigente sindicalista, referindo que o STOP está “totalmente disponível para negociar” com o Ministério da Educação.

Segundo André Pestana, da parte da tutela tem existido, “infelizmente, um silêncio e ataques pessoais”.

“Esperemos que o ministério e o ministro tenham bom senso, porque, se não o tiverem, [janeiro] vai ser um mês inesquecível ao nível de lutas sociais nas escolas”, disse.

A partir de quarta-feira, a greve estende-se ao pessoal não docente, “que também tem uma avaliação com quotas, salários muito baixos e direito também à Caixa Geral de Aposentações, entre outras”, acrescentou o sindicalista.

“A defesa da escola pública tem de ser um desígnio nacional (…) que devia unir todos os portugueses”, independentemente de serem “mais à esquerda ou mais à direita”, sublinhou.

Na marcha agendada para o dia 14 de janeiro, em Lisboa, André Pestana espera juntar largas “dezenas de milhar de pessoas”, tendo em conta a participação na manifestação ocorrida na capital em dezembro, que segundo o sindicato terá juntado cerca de 25 mil professores.

A greve iniciada em dezembro pelo STOP foi justificada pelo sindicato com a alegada intenção do Ministério da Educação de passar a gestão do recrutamento docente para conselhos intermunicipais de diretores sem ter em conta a graduação profissional.

Em resposta, o ministro da Educação, João Costa, acusou então André Pestana de mentir, garantindo que não há qualquer processo de municipalização da contratação de professores e que a antiguidade dos professores vai ser o critério no modelo que está a ser negociado com os sindicatos para a vinculação dos professores.

O STOP reclama também respostas a questões como a falta de aumento salarial que compense a inflação, que motiva a “falta de professores”, a ausência de contagem de tempo de serviço que esteve congelado, as quotas de acesso aos 5.º e 7.º escalões, a penalização na aposentação após 36 anos de serviço e a vinculação dinâmica dos contratados.

Além da conferência de imprensa, quase uma centena de docentes e não docentes participaram hoje num cordão humano junto à Escola José Falcão de Miranda do corvo, empunhando cartazes com as suas reivindicações e distribuindo panfletos pelos pais dos alunos.

IPMA regista sismo de 3,4 com epicentro perto do Bombarral

Um sismo de magnitude 3,4 na escala de Richter foi registado pelas 01:16, com epicentro localizado a cerca de oito quilómetros a sudoeste do Bombarral, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O sismo “foi sentido com intensidade máxima” nos concelhos de Caldas da Rainha, Lourinhã e Torres Vedras, informou em comunicado.

O IPMA indicou ainda na mesma nota que foi “sentido com menor intensidade” nos concelhos de Óbidos, Peniche, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Cadaval, Cascais, Lisboa, Mafra, Sintra e Vila Franca de Xira.

Investigadores implementam programa de treino em pacientes psiquiátricos crónicos que contribui para o desenvolvimento cognitivo e motor

Uma equipa de investigação, coordenada pelo Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e pelo NeuroRehabLab da Universidade da Madeira, testou um programa de treino cognitivo computorizado, composto por atividades cognitivas e motoras, em pacientes psiquiátricos crónicos (com, por exemplo, quadros clínicos psiquiátricos de esquizofrenia, perturbação depressiva e bipolar) que residem em unidades de longo internamento.

Este treino cognitivo computorizado, denominado Full-Body Interaction Cognitive Training (FBI-CT), revelou ter impactos positivos em indicadores cognitivos, tais como velocidade de processamento, atenção sustentada por curtos períodos de tempo e memória verbal, como também em indicadores não cognitivos, como diminuição da sintomatologia depressiva.

Com este estudo, a equipa procurou «avaliar a viabilidade e a aceitabilidade do programa, assim como analisar o seu impacto em indicadores cognitivos (por exemplo, atenção, memória, funções executivas) e não cognitivos (como qualidade de vida, capacidade funcional e estado emocional)», contextualiza Joana Câmara, investigadora do CINEICC e primeira autora do estudo. «Até à data, são ainda escassos os estudos científicos que avaliam o impacto de intervenções combinadas com enfoque funcional em população psiquiátrica, sendo este um tema inovador no processo de intervenção terapêutica nestes quadros clínicos», elucida a investigadora.

Segundo o Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental, «mais de um quinto dos portugueses (22.9%) apresenta uma patologia psiquiátrica, número que seguramente tem vindo a crescer desde a pandemia», contextualiza Joana Câmara. Paralelamente, «a literatura científica revela que a população psiquiátrica apresenta défices cognitivos persistentes que comprometem a sua adesão à terapêutica, a qualidade de vida e a capacidade funcional, e, por essa razão, esta população tende a ser mais sedentária do que a população em geral, sendo mais suscetível de desenvolver doenças cardiovasculares e metabólicas que agravam a sua condição clínica e que afetam o seu funcionamento cognitivo», acrescenta. Neste sentido, a implementação de intervenções junto desta população, especialmente as que combinam componentes cognitivas e motoras, «pode ajudar a fazer frente às consequências negativas previamente mencionadas e tem ainda a vantagem de ser mais viável num contexto de internamento psiquiátrico, onde os recursos humanos e o tempo para intervir são limitados», destaca a investigadora.

Foram realizadas 14 sessões, de 30 minutos cada, administradas três vezes por semana a 18 participantes. Uma parte do grupo de pacientes frequentou o programa em formato de intervenção combinada (mais dinâmico), no qual o conteúdo do treino cognitivo foi projetado numa parede com os participantes a resolverem tarefas através da realização de movimentos detetados por Kinect (sensor de movimentos). O restante grupo frequentou o programa de treino considerado mais passivo, em que os participantes resolveram as tarefas de treino cognitivo num tablet.

O treino foi desenvolvido com recurso à plataforma Musiquence, que permite a personalização do treino em função das características do utilizador. As sessões do programa foram organizadas por temáticas funcionais distintas, com o objetivo de aproximar as tarefas de treino cognitivo a ações que as pessoas têm de realizar na vida real, tendo em vista o treino de competências funcionais e a promoção do envolvimento e motivação. As temáticas abordadas incluíram a comunicação funcional, o uso de transportes públicos, a confeção de refeições, a ida às compras, a gestão financeira e a gestão de questões relacionadas com a saúde.

Depois da participação nas 14 sessões do programa, as participantes foram acompanhadas no momento pós-intervenção e também passados três meses. No acompanhamento após as sessões, foi possível atestar a «viabilidade e aceitabilidade do programa, bem como níveis elevados de satisfação na sequência da intervenção», explica Joana Câmara.

O grupo de pacientes que frequentou a intervenção combinada «apresentou níveis de satisfação ligeiramente mais elevados, possivelmente pelo facto de esta implicar uma interação mais dinâmica e multissensorial, apresentando melhorias significativas em indicadores cognitivos, tais como velocidade de processamento, atenção sustentada por curtos períodos de tempo e memória verbal, e em indicadores não cognitivos, como diminuição da sintomatologia depressiva», destaca a estudante de doutoramento da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. No caso do grupo que frequentou as sessões com recurso ao uso de tablet, «evidenciaram ganhos significativos, mas apenas em indicadores cognitivos, incluindo a atenção sustentada por longos períodos de tempo, a memória verbal e as funções executivas», acrescenta Joana Câmara. No acompanhamento que decorreu três meses depois, «as participantes de ambos os grupos foram reavaliadas e verificou-se que o primeiro grupo manteve os ganhos obtidos na memória verbal, bem como a diminuição na sintomatologia depressiva», destaca.

Sobre os impactos deste estudo-piloto, a investigadora do CINEICC refere que «futuramente, seria importante replicá-lo com uma amostra mais alargada, que incluísse participantes de ambos os sexos, por forma a clarificar qual destas abordagens/formatos de implementação é mais eficaz». Relativamente aos benefícios das intervenções combinadas com enfoque na componente funcional, Joana Câmara adianta que «a investigação científica em grupos saudáveis sugere que as intervenções que contemplam diferentes abordagens de atuação – entre elas o treino cognitivo, a atividade física, a nutrição e o acompanhamento psicológico – são mais eficazes na promoção de indicadores cognitivos, físicos, funcionais e de bem-estar do que todas estas intervenções adotadas isoladamente. Neste sentido, urge desenvolver e avaliar a eficácia deste tipo de intervenções em populações clínicas com necessidades de intervenção complexas, como é o caso da psiquiátrica, e procurar transpô-las do domínio da investigação para a prática clínica».

O estudo contou ainda com a participação de Manuela Vilar, docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental, e de Luís Ferreira, Ana Lúcia Faria e Sergi Bermúdez i Badia, do NeuroRehabLab da Universidade de Madeira.

Os resultados desta intervenção podem ser consultados no artigo científico “Feasibility, Acceptability, and Preliminary Impact of Full-Body Interaction on Computerized Cognitive Training Based on Instrumental Activities of Daily Living: A Pilot Randomized Controlled Trial with Chronic Psychiatric Inpatients”, publicado na revista científica Games for Health Journal, disponível em https://doi.org/10.1089/g4h.2021.0228.

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