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PSP investiga agressões junto a espaço de diversão em Leiria

A Polícia de Segurança Pública (PSP) está a investigar agressões na madrugada de domingo junto de um estabelecimento de diversão noturna na cidade de Leiria e cujas imagens estão a circular nas redes sociais, foi hoje anunciado.

Num comunicado, a PSP informa que pelas 02:40 de domingo foi pedida a presença da Polícia “por terem ocorrido agressões entre vigilantes e clientes” do estabelecimento.

“À chegada dos meios policiais já não estava a ocorrer qualquer situação de agressões, havendo, contudo, ainda alguma comoção entre as pessoas presentes”, refere a PSP, explicando que “foram identificadas as vítimas e testemunhas da ocorrência, já não se encontrando no local os suspeitos das agressões”.

A PSP adianta que “já se encontra a desenvolver as necessárias diligências investigatórias, para apuramento da identidade dos agressores”.

No mesmo comunicado, a PSP explica que, no mesmo dia, “foi detetado que circulava nas redes sociais um vídeo em que é possível visualizar as agressões, permitindo acrescentar mais informação ao processo”.

“De realçar que parte da rua onde ocorreram as agressões está coberta pelo sistema de CCTV [videovigilância] da cidade de Leiria, revelando-se uma grande mais-valia no apoio à atividade policial no terreno”, assinala.

O comunicado garante também que esta força de segurança “tem mantido uma atenção especial e incrementado o reforço de patrulhamento nas zonas de diversão noturna, com o objetivo de manter o sentimento de segurança da população”, agradecendo a quem tenha “mais alguma informação ou gravação vídeo dos acontecimentos” que faça chegar à PSP de Leiria.

No vídeo, a que a Lusa teve acesso, é possível ver duas pessoas deitadas no chão a serem agredidas na via pública, nas imediações do estabelecimento.

A Lusa questionou esta tarde a PSP sobre esta situação, incluindo as diligências efetuadas, e se já tinha sido aberto um inquérito e sobre o qual este versa.

Albergaria – a – Velha: Acidente de trabalho mortal em empresa de mármores

Um homem, de 42 anos, morreu, esta tarde de segunda-feira na sequência de um acidente de trabalho, em Albergaria-a-Velha. No mesmo acidente, um outro trabalhador, da mesma faixa etária, sofreu ferimentos ligeiros.

O alerta foi dado, cerca das 14h45, para os bombeiros de Albergaria-a-Velha, para um acidente de trabalho, numa empresa de mármores, na Zona Industrial. A equipa da viatura médica de emergência e reanimação de Aveiro também foi acionada.

Pelas informações recolhidas pelo Jornal de Albergaria, o acidente terá acontecido devido ao desprendimento de uma pedra de mármore, que atingiu os dois funcionários.

O ferido foi levado, pelos bombeiros, para o hospital de Aveiro. O corpo da vítima mortal foi levado para o Instituto de Medicina Legal de Aveiro. A GNR e a Autoridade para as Condições de Trabalho também foram mobilizadas.

No local encontravam-se duas ambulâncias, com quatro elementos, e um veículo especial de combate a incêndios, para desencarceramento, dos Bombeiros de Albergaria, com cinco elementos, uma viatura médica de emergência e reanimação de Aveiro, uma ambulância de suporte imediato de vida de Águeda e a GNR.

Anadia: Apoios às Instituições de Solidariedade Social do concelho

Com o intuito de reconhecer o esforço e incentivar o crucial trabalho que vem sendo realizado pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) no concelho, em estreita articulação e coordenação com a Rede Social de Anadia, o Município deliberou atribuir, na reunião de executivo do passado dia 15 de junho, mais de 100 mil euros, a 18 associações sociais.

Os valores atribuídos respeitam também às respostas sociais, o respetivo número de utentes, assim como a sua participação nos vários projetos promovidos pela autarquia e a colaboração prestada à Câmara Municipal no desenvolvimento de competências que lhe estão legalmente atribuídas na área da ação social escolar e em outras intervenções.

O Município teve ainda em consideração a relevância de continuar a apoiar o trabalho desenvolvido pelas IPSS, o qual se demonstra ainda mais imprescindível, mas não menos dificil, para superar as adversidades resultantes da atual conjuntura económica, em consequência do aumento significativo das despesas com bens essenciais para o funcionamento das respostas sociais que as instituições disponibilizam, e para o desenvolvimento da sua atividade, destacando-se os encargos substanciais com energia e com combustíveis.

De sublinhar que as Instituições Particulares de Solidariedade Social são constituídas por iniciativa de particulares, sem fins lucrativos, com o propósito de dar expressão organizada ao dever moral de solidariedade e de justiça entre os indivíduos, para prosseguir, entre outros, com objetivos de apoio social à família, crianças, jovens, idosos e integração social e comunitária, mediante um vasto trabalho, no âmbito da intervenção social, nomeadamente na concessão de bens e na prestação de serviços.

Leiria vai apoiar médicos que se fixem no concelho com 600 euros mensais para habitação

A Câmara de Leiria aprovou hoje, por unanimidade, o projeto de regulamento municipal para atribuição de incentivos à fixação de médicos no concelho, contemplando um apoio mensal de 600 euros mensais para arrendamento durante três anos.

Numa nota de imprensa, a autarquia explica que o projeto de Regulamento Municipal de Atribuição de Incentivos à Fixação de Médicos de Medicina Geral e Familiar e Médicos Especialistas Hospitalares visa “contribuir para a melhoria da prestação de cuidados de saúde à população”.

“Tendo em conta a dificuldade em fixar médicos nos serviços públicos no concelho, este regulamento visa incentivar a fixação de médicos de medicina geral e familiar [nos centros de saúde] e médicos especialistas hospitalares do Hospital de Santo André”, adianta.

Segundo a autarquia, de maioria socialista, “são elegíveis médicos especialistas em medicina geral e familiar e médicos especialistas hospitalares com disponibilidade para manter o vínculo laboral por um período de cinco anos, residência no concelho de Leiria e que não possuam habitação própria e permanente no município”.

“Os incentivos aplicam-se ainda aos médicos que, por via de concurso ou na sequência de mobilidade, ocupem postos de trabalho nas unidades funcionais do ACES [agrupamento de centros de saúde] Pinhal Litoral do concelho de Leiria e no Hospital de Santo André, bem como para aqueles que já exerçam atividade profissional nestes organismos, no concelho de Leiria, por um período mínimo de 12 meses”, explica.

A nota de imprensa acrescenta que “está prevista a atribuição de um incentivo na área da habitação de 600 euros mensais, por um prazo máximo de 36 meses, para comparticipação ao arrendamento, e ainda acesso gratuito a eventos culturais organizados pelo Município de Leiria, que decorram nos seus espaços museológicos e outros equipamentos culturais, tal como o acesso às atividades no âmbito do programa municipal Férias Criativas” se o candidato tiver filhos em idade escolar.

Na reunião do executivo municipal, o vereador Álvaro Madureira (independente eleito pelo PSD) adiantou que o regulamento “poderá trazer alguns médicos a fixarem-se, mas também cria algumas dúvidas”, referindo o “compromisso de cinco anos” de permanência no concelho para usufruir da contrapartida do apoio à renda de três anos.

“Tenho dúvidas de que isso seja eficaz nesse ponto de vista”, considerou Álvaro Madureira, realçando que, “aparentemente”, o regulamento parece positivo.

A vereadora com o pelouro da Saúde, Ana Valentim, realçou que o objetivo da Câmara com esta medida é “de tentar minimizar aquilo que tem sido a pressão nos serviços de saúde”

“Pretendemos, essencialmente, dar resposta à população”, declarou, convicta de que “esta medida pode ser um mecanismo importante” para quem precisa de médicos, consultas ou receituário.

De acordo com Ana Valentim, se se conseguir fixar alguns médicos por esta via, “já valeu a pena a sua implementação”.

O presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, afirmou que “o regulamento é um passo que se dá para criar condições para atrair médicos”, admitindo que a autarquia pode, a qualquer momento, adaptar este regulamento “caso não gere procura e não alcance os objetivos desejados”.

O projeto de regulamento vai ser submetido à Assembleia Municipal na sexta-feira e, após publicação em Diário da República, entra em vigor.

Mealhada aposta em sistema de vigilância e controlo de perdas de água

 A Câmara Municipal da Mealhada revelou hoje que vai investir, mais de 660 mil euros, num sistema de vigilância e controlo que permite reduzir as perdas de água que ocorrem nos sistemas de abastecimento de todo o concelho.

“Esta é uma daquelas intervenções que não se vê, mas que causará grande impacto no Município e em cada um dos consumidores, na medida em que permitirá que a gestão da água seja muito mais eficiente e, consequentemente, com um custo inferior ao atual”, destacou o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Jorge Franco.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a autarquia mealhadense informou que procedeu, no início do mês, à consignação da empreitada “Zonas de Medição e Controlo dos Sistemas de Abastecimento de Água do Município”, que implementará um sistema de vigilância e controlo das perdas de água nos sistemas de abastecimento do concelho.

Com um investimento de 662.319 euros e 180 dias de prazo de execução, a intervenção prevê a instalação de 26 zonas de medição e controlo, passando todo o sistema e subsistemas de abastecimentos a serem monitorizados.

“Inclui ainda a instalação de 19 válvulas redutoras de pressão, de forma a harmonizar as pressões em todos os sistemas no sentido de reduzir a existência de avarias. O sistema funcionará em regime de telegestão”, esclareceu.

De acordo com esta autarquia do distrito de Aveiro, atualmente os níveis de perdas e fugas verificadas nos sistemas de abastecimento de água “são elevados”, originando “ineficiências económicas e penalizando o ambiente, com as consequentes repercussões no utilizador final dos serviços”.

“A obra visa reduzir as perdas de água que acontecem por todo o concelho”, justificou.

Bicicletas partilhadas de Aveiro com nova modalidade paga

O novo sistema de bicicletas partilhadas de Aveiro, hoje inaugurado, disponibiliza, em 20 ‘docas’, cerca de 200 bicicletas novas, utilizáveis mediante pagamento e através de uma aplicação (App) para telemóvel.

É o culminar de “uma longa tarefa”, mais longa do que o desejado, conforme admitiu o presidente da Câmara, Ribau Esteves, no lançamento das novas BUGA, referindo-se aos sucessivos adiamentos da entrada ao serviço.

“Foi uma operação complexa porque quisemos que o novo sistema ficasse preparado para as tecnologias, quer no acesso à gestão pelos utilizadores através da App, quer dotando cada doca de capacidade para, no futuro, fazer carregamentos, pelo que cada uma tem o seu ramal elétrico”, explicou Ribau Esteves.

A designação BUGA, que inicialmente queria dizer “Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro” mantém-se porque, segundo o autarca, “é uma marca de imagem positiva de Aveiro”, mas a palavra “gratuita” é trocada por “gostosa”, conforme explicou.

Isso porque agora, a par das antigas bicicletas que continuam a ser gratuitas, o município disponibiliza, mediante pagamento, a residentes e turistas, a nova frota de bicicletas, em dois modelos: um, mais leve, que corresponde à bicicleta tradicional, e outro, mais pesado, concebido para vir a levar motor auxiliar e bateria.

O tarifário varia conforme se pretenda uma utilização frequente ou episódica.

O novo sistema correspondeu a um investimento municipal de meio milhão de euros, financiado pelos fundos comunitários do Portugal 2020.

As ‘docas’ foram espalhadas pela cidade, desde o centro de Esgueira à Universidade, em zonas de maior circulação, e até se pode ir de BUGA até à Freguesia de São Jacinto, através do Forte da Barra para a travessia do canal de navegação e circulando pela Gafanha da Nazaré, no concelho vizinho de Ílhavo.

Além da App, é facultado um cartão físico para quem o pretender, que pode ser adquirido no Centro Cultural e de Congressos, na Loja BUGA junto ao Mercado Manuel Firmino, e na antiga Estação de caminho de ferro.

Troço Oiã-Soure da linha de alta velocidade deverá custar 1,3 mil ME

O troço entre Oiã (Oliveira do Bairro) e Soure da futura linha de alta velocidade que vai ligar Lisboa ao Porto deverá implicar um investimento de 1,3 mil milhões de euros, segundo o estudo de impacte ambiental divulgado hoje.

“A estimativa do valor de investimento é de 1,3 mil milhões de euros”, refere o resumo não técnico do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) encomendado pela Infraestruturas de Portugal (IP) e colocado hoje em consulta pública na plataforma digital participa.pt até 31 de julho.

Este troço é o lote B da ligação entre Porto e Soure (a consulta pública do EIA do lote A, Porto-Aveiro, já terminou), que corresponde à primeira fase da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, que deverá arrancar em 2029.

Para além da linha de alta velocidade, o projeto contempla ainda a duplicação da linha do Norte entre Taveiro e Coimbra e a ampliação da estação ferroviária de Coimbra-B.

O projeto atravessa os concelhos de Pombal, Soure, Condeixa-a-Nova, Coimbra, Cantanhede, Mealhada, Anadia, Oliveira do Bairro e Aveiro, estando dividido entre três trechos (sul, centro e norte), em que são propostas várias alternativas para cada um dos percursos.

De acordo com o resumo não técnico consultado pela agência Lusa, este troço entre Oiã e Soure contempla ainda a construção das variantes de Anadia e Oliveira do Bairro, com uma interligação entre as duas.

A variante de Anadia, com uma extensão de 15,2 quilómetros e criada após solicitação pela Câmara Municipal e pela Comissão Vitivinícola da Bairrada, é proposta para minimizar a interceção de áreas de vinha e adegas da região demarcada da Bairrada.

“Em contrapartida, tem maior afetação de áreas urbanas”, nota o estudo.

Já a variante de Oliveira do Bairro, com uma extensão de 10,2 quilómetros, surge no projeto com “o objetivo de minimizar a afetação da área industrial de Vila Verde e a sua zona de expansão”, lê-se no documento consultado pela Lusa.

Violência doméstica: Homem condenado em Leiria a pena de prisão suspensa

O Tribunal Judicial de Leiria condenou hoje um homem a cinco anos de prisão, pena suspensa na sua execução por igual período, por dois crimes de violência doméstica agravados de que foram vítimas a mulher e um filho.

O arguido, de 56 anos, residente na Batalha, estava acusado pelo Ministério Público de mais um crime de violência doméstica agravado (sobre o outro filho), três crimes de ameaça agravada e um crime de detenção de arma proibida (era de uma familiar), tendo sido absolvido destes.

A suspensão da pena determinada pelo coletivo de juízes é sujeita ao regime de prova, que inclui a frequência num programa de agressores de violência doméstica, e a obrigação, durante dois anos, de afastamento de pelo menos 500 metros da residência e do local de trabalho das vítimas.

O arguido foi ainda condenado, nas penas acessórias, de proibição de contactos, por si ou por interposta pessoa, e por qualquer meio, com a agora ex-mulher e o filho mais velho, e de uso e porte de armas durante cinco anos. O homem tinha licença para este fim.

Segundo o acórdão, vai ter ainda de indemnizar as duas vítimas num total de seis mil euros, por danos não patrimoniais, além de pagar as custas do processo.

O coletivo de juízes determinou ainda que as armas apreendidas, uma das quais usada na prática dos crimes, sejam declaradas perdidas a favor do Estado e que seja providenciada a sua entrega à Polícia de Segurança Pública.

O tribunal deu como provada a generalidade dos factos constantes da acusação, entre os quais que o homem, após o casamento, em 1992, “por algumas vezes, demonstrou ciúmes” da mulher.

Em 2014, quando esta lhe comunicou que pretendia o divórcio, o arguido ameaçou-a de morte, que repetiu, por diversas vezes, durante o casamento.

Entre outros factos provados, o tribunal referiu que em 18 de março de 2022, após a mulher ter saído de casa com o filho mais novo para o levar a um compromisso, o arguido foi a um armário buscar uma espingarda e quatro cartuchos.

Depois, dirigiu-se ao filho mais velho e disse: “Estás a contá-los? Um para ti, outro para a tua mãe, outro para o teu irmão e outro para mim”, lê-se no acórdão.

A vítima sentou-se no sofá, já depois de o pai ter municiado a arma com três cartuchos.

Após a mulher ter regressado a casa, afirmou ao filho para ir para junto dele, “apontando-lhe a arma”. À mulher, fez “um gesto com a espingarda”, para que fosse para junto do filho. O homem acabou por desmuniciar a arma.

O filho mais velho saiu de casa na sequência desta situação, com medo de que o pai concretizasse a ameaça de morte a toda a família.

No mês seguinte, o arguido declarou à mulher e ao outro filho “não passa de hoje” e, após a Guarda Nacional Republicana, por uma questão de segurança, ter conduzido ambos ao posto, ao desconfiar que ali estivessem, dirigiu-se às imediações e acabou detido.

Na leitura do acórdão, a juíza-presidente declarou que o arguido, em julgamento, “nega os factos, mas acaba por conformar alguns deles”, destacando que as declarações para memória futura da ex-mulher e dos filhos (a viver no estrangeiro) foram lógicas, tranquilas e credíveis.

Considerando que o acusado apresentou “declarações incoerentes” que “só demonstram que não assume responsabilidade sobre estes gestos, o que é gravíssimo”, a magistrada judicial exemplificou com o facto de ter apontado “a arma à mulher e ao filho durante uma hora”.

A juíza-presidente lamentou a ausência de um juízo de autocensura, referiu-se ainda à personalidade do arguido como “obsessiva e controladora” e referiu que aquele “precisa de mudar o seu comportamento” e “talvez de ajuda psicológica”.

Após o acórdão, o arguido declarou que “não tem fundamento nenhum esta queixa”, garantindo: “Fui sempre um pai exemplar. Penso no que aconteceu. Foi muito mau para mim”.

A juíza respondeu que “foi mau para a sua ex-mulher e para o seu filho”.

Acusado de homicídio em Leiria remete-se ao silêncio no início do julgamento

Um homem acusado do crime de homicídio simples, ocorrido em agosto de 2022 no concelho de Leiria, ficou hoje ao silêncio na primeira sessão do julgamento, na qual foi suscitada a nulidade do inquérito.

O arguido, de 65 anos e detido preventivamente, referiu ao coletivo de juízes do Tribunal Judicial de Leiria que um eventual depoimento ficaria para “mais tarde”.

Nesta sessão, o advogado do arguido suscitou a nulidade do inquérito, por insuficiência, a que se opôs a procuradora da República, considerando extemporânea.

“O arguido foi notificado da acusação do processo, não requereu abertura de instrução, foi notificado da presente audiência de julgamento”, adiantou a magistrada do Ministério Público (MP).

Após deliberação do tribunal coletivo, a juíza-presidente comunicou que “a nulidade em causa não se mostra arguida no prazo, pelo que a sua invocação em sede de julgamento se revela extemporânea”, esclarecendo que “não se verifica qualquer nulidade insanável”, nomeadamente a apresentada pela defesa do acusado.

Segundo o despacho de acusação, a vítima, um homem de 55 anos, manteve um relacionamento com uma mulher, tendo o casal fixado residência nas Cortes, num quarto arrendado ao arguido, que vivia na mesma residência.

Entre a rutura deste relacionamento, em finais de julho de 2022, e o início de agosto, a vítima deslocou-se várias vezes à residência, numa das quais ocorreu um desentendimento entre os dois homens.

Na noite de 05 para 06 de agosto, o arguido decidiu ficar atento à possível chegada do homem, “para o confrontar, incluindo fisicamente”, de forma a dissuadi-lo de regressar à habitação.

O despacho descreve que a vítima deslocou-se àquela casa, “espalhando brita na varanda da mesma, após o que se dirigiu à via pública”.

O arguido, que viu a situação, dirigiu-se ao homem (com dificuldades de locomoção) e, munido de um tubo metálico de aspirador, alcançou-o.

Os dois homens envolveram-se em confronto físico, tendo o acusado desferido, com força, pelo menos dois golpes com o tubo metálico na cabeça da vítima, que caiu ao chão “sangrando profusamente na zona da cabeça”. Depois colocou-se em cima dela e, com o tubo, pressionou-lhe o peito, apesar do pedido para que a libertasse, até ficar inanimada.

Só volvidos alguns momentos, e apenas após insistência de terceiros que, entretanto, acorreram ao local, é que o arguido saiu de cima da vítima, cujo óbito foi declarado no local às 01:23 de dia 06 de agosto.

Uma testemunha, vizinha do arguido, relatou ao tribunal que em casa começou a ouvir “uns barulhos estranhos” e foi à varanda, tendo, após sair de casa, visto um homem deitado no chão e o arguido “em cima dele (…) a pressionar com o ferro”.

Após ter-se dirigido ao arguido com a expressão “sai daí, estás a dar cabo do homem”, o suspeito alegou à vizinha que se tinha de defender e só saía quando a Guarda Nacional Republicana (GNR) chegasse.

O arguido, que incorre numa pena de prisão entre os oito e os 16 anos, acabou por sair de cima da vítima e foi deixar o ferro a casa, relatou esta testemunha.

De manhã, foram ouvidas mais cinco testemunhas, incluindo dois militares da GNR e um inspetor da Polícia Judiciária.

O julgamento prossegue à tarde.

Equipa da Universidade de Coimbra cria solução para poluentes de águas residuais

Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveram um sistema capaz de remover contaminantes químicos e biológicos das águas residuais domésticas.

O objetivo da equipa de cientistas do Departamento de Engenharia Química (DEQ) é “eliminar contaminantes de preocupação emergente de maneira a proteger os ecossistemas e tentar obter uma água que possa ser reutilizável”, por exemplo, na irrigação de culturas agrícolas.

Trata-se de “um sistema reacional de fotocatálise solar, utilizando catalisadores suportados”, criado no âmbito do projeto PhotoSupCatal, que termina ainda este mês, informou a FCTUC num comunicado enviado à agência Lusa.

“Além dos compostos químicos, os investigadores avaliaram também a possibilidade de desinfeção. Mais concretamente, verificaram qual o impacto que este processo tem na bactéria ‘Escherichia coli’ e os resultados são promissores”, adiantou.

Citado na nota, o docente do DEQ Rui Martins explicou que, “apesar de as águas residuais domésticas passarem pelos tratamentos biológicos habituais, ainda não são tidos em conta alguns compostos químicos poluentes que estão a surgir nas águas e que advêm do consumo humano”, como é o caso de produtos cosméticos e farmacêuticos.

“Estes produtos libertam para as águas residuais moléculas que aparecem em concentrações muito pequenas, mas que, devido à sua complexidade”, não é possível tratar por via biológica, “o processo mais comum nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) municipais”, referiu o também investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta.

Este processo de tratamento, segundo Rui Martins, “é de fotocatálise”, com recurso a “um catalisador que é ativado pela luz”.

“Com essa ativação, há produção de radicais, que são compostos muito instáveis e reativos, que vão degradar os compostos orgânicos”, acrescentou, para indicar que, “neste processo, será utilizada a energia solar como fonte de radiação, uma vez que tem um baixo custo”.

A equipa da FCTUC desenvolveu “um sistema catalítico sustentado com suportes à base de polímeros, nomeadamente ‘PDMS’ e polianilina”.

“Os resultados mostram-nos que estes catalisadores conseguem degradar eficientemente os contaminantes orgânicos que estamos a testar e que são estáveis para vários testes de reutilização”, revelou Rui Martins.

A equipa prevê que o projeto venha a “ter impacto na indústria”, ao disponibilizar “uma tecnologia de baixo custo para refinar a qualidade da água tratada, permitindo a sua reutilização”.

Cofinanciado pela União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), o projeto tem a participação de nove investigadores da FCTUC e é coordenado pela Adventech, uma empresa de São João da Madeira especializada no desenvolvimento e construção de ETAR e sistemas de tratamento de emissões gasosas.

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