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Encontro em São João da Madeira reúne parceiros tecnológicos que faturam 71 ME por ano

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São João da Madeira acolhe terça e quarta-feira o Tecnet Business Camp, que, visando aproximar empresas, investidores e outros parceiros, reúne empresas que, só na área tecnológica, faturam em conjunto mais de 71 milhões de euros por ano.

Promovido pelo centro empresarial Sanjotec em parceria com a referida autarquia do distrito de Aveiro e as redes de parques de ciência e tecnologia PortusPark e TecParques, o evento é dedicado a tecnologia, criatividade, inovação e empreendedorismo empresarial e social, e reunirá na Oliva Creative Factory empresários e profissionais dessas áreas, assim como empreendedores, investidores, financiadores e outras instituições.

“O objetivo é que os responsáveis por empresas e projetos inovadores se conheçam, façam ‘networking’, troquem sinergias e, no fundo, afirmem os seus negócios. Aproveitando para mostrar às entidades com influência nestes setores o que Portugal está a fazer nas respetivas áreas, terão assim oportunidade de perspetivar melhor o seu futuro e delinear o seu crescimento”, revela à Lusa fonte da organização.

O Tecnet de 2023 é dedicado ao tema “Futuro Circular” e aposta em oito domínios considerados “cruciais na discussão do futuro”: Empreendedorismo, Economia Circular, Inovação, Financiamento, Aeroespacial, Inteligência Artificial, Indústria 4.0 e Talento Tecnológico.

O trabalho dos vários convidados para a presente edição do evento será dado a conhecer em diferentes zonas de exposição, entre as quais uma dedicada a empresas tecnológicas, focada nos associados do Sanjotec e respetivos parceiros, e outra destinada à economia circular, centrada em ‘startups’ e projetos inovadores de base nacional.

No primeiro caso, a organização realça: “Só na ‘Zona Tecnológica’, que inclui as empresas do ecossistema Sanjotec, estamos a falar de um conjunto de entidades que representaram 71 milhões de euros de faturação global em 2022”.

Já no que se refere à zona reservada para projetos de sustentabilidade e economia circular, concentrará marcas como: a Wine Lees, dedicada ao reaproveitamento das borras resultantes da produção de vinho; a Spawn Foam, pioneira a nível europeu no fabrico de tabuleiros biodegradáveis e orgânicos para plantação florestal; a Slow Vanity, que fabrica peças de vestuário a partir de desperdícios e excedentes de fábricas portuguesas; a Shaeco, que cria champôs ecológicos e outros produtos de cabelo livres de sulfatos, parabenos e fragrâncias sintéticas; e a Kukken Caffé, que comercializa café torrado e embalado em Portugal, em cápsulas e embalagens compostáveis e livres de plástico.

O Tecnet de 2023 também abrange um programa de conferências com cerca de 50 oradores, entre os quais os líderes de “grandes empresas, entidades do sistema científico e tecnológico, startups e até alunos do ensino secundário e superior – estes últimos para apresentação dos projetos que venceram o programa de aceleração ‘Startup Zero’”.

Entre esses oradores inclui-se o norte-americano Ray Fisk, especialista da Universidade do Texas em marketing de serviços interativos, e o português Arlindo Oliveira, investigador de Inteligência Artificial no Instituto Superior Técnico. Outros oradores em destaque são Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, e Rui Moura, investigador português que nos Estados Unidos recebeu treino de astronauta como tripulante suborbital.

Futuro da língua portuguesa debatido em Coimbra ao longo de dez dias

Dezenas de intelectuais vão estar em Coimbra a debater o futuro da língua portuguesa, num evento de dez dias que pretende ser o primeiro passo para a inauguração da Casa da Cidadania da Língua, revelou hoje a organização.

De acordo com a Associação Portugal Brasil 200 anos (APBRA), o evento vai contar com a participação de importantes nomes da cultura e literatura dos países de língua portuguesa, entre os quais a filósofa e escritora brasileira Djamila Ribeiro, que estará pela primeira vez em conferências em Portugal.

A cidade de Coimbra acolhe, de 23 de junho a 02 de julho, o primeiro Ciclo Cidadania da Língua, promovido pela APBRA, em parceria com a Câmara Municipal de Coimbra.

Debates, palestras, conversas, performances e apresentação de obras fazem parte de um programa pensado para 10 dias, que será repartido por três espaços da cidade de Coimbra: Casa da Escrita, Praça do Comércio e Casa da Cidadania da Língua.

Numa nota de imprensa enviada à agência Lusa, a APBRA informou que pela cidade passarão também o embaixador de Portugal em Brasília, Luís Faro Ramos, e ainda personalidades como Yara Nakhanda Monteiro, escritora luso-angolana; Laurentino Gomes, historiador brasileiro; Rafael Gallo, vencedor do prémio Saramago; Andrea Nogueira, gerente do SESC São Paulo; Ricardo Barberena, diretor do Instituto de Cultura da PUCRS, entre outros.

“A iniciativa é o primeiro passo para a inauguração da Casa da Cidadania da Língua, que ocorrerá em Coimbra em outubro de 2023. Com debates, palestras e performances, o Ciclo Cidadania da Língua serve como uma introdução a um projeto ambicioso e vai promover a reflexão em um momento em que a língua portuguesa ganha cada vez mais espaço internacional”, justificou.

Segundo a organização, é urgente o debate sobre “como a cultura se transforma em marca de território, a expansão de uma programação cultural em português, o lugar de fala, os trânsitos entre arte e literatura, os desafios da nova cidadania e o acesso à educação”.

“Além disso, o evento aborda a criação de um mercado de edição internacional e o futuro da literatura de língua portuguesa”.

No entender da APBRA, a realização do evento em Coimbra vem reforçar e relançar a importância da cidade como um dos epicentros da língua portuguesa.

“A APBRA, em parceria com a Feira do Livro de Coimbra, procura promover a reflexão e o diálogo sobre alguns dos principais temas da atualidade, o fortalecimento da cultura e a literatura dos países de língua oficial portuguesa”, concluiu.

A APBRA é uma Associação não-governamental e sem fins lucrativos, dedicada ao desenvolvimento das relações humanas e económicas entre Portugal e o Brasil e à promoção da cultura e da língua portuguesa, através da realização de eventos e parcerias com agentes privados e públicos dos dois países.

São parceiros da APBRA o Senado Federal, o Instituto Camões, a Universidade de Coimbra, Município de Coimbra, o Estado de Minas Gerais, o Ministério da Cultura de Portugal, entre outras organizações e empresas.

Consulta pública ao troço Porto-Aveiro do TGV fecha com críticas e 822 contributos

A consulta pública ao traçado ferroviário da linha de alta velocidade Porto – Aveiro, hoje consultada pela Lusa, encerrou com 822 participações e gerou críticas de autarquias atravessadas pelo percurso, sobretudo no distrito de Aveiro.

De acordo com o portal participa.pt, a consulta pública do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do troço Porto – Aveiro, que encerrou na sexta-feira e esteve aberta desde o dia 05 de maio, gerou 822 participações.

O troço Porto-Aveiro da futura linha ferroviária de alta velocidade que deverá ligar Vigo a Lisboa custará 1,65 mil milhões de euros, dos quais 500 milhões financiados por fundos europeus.

O troço Porto-Aveiro é o lote A da ligação Porto-Soure, que corresponde à primeira fase da linha Porto-Lisboa, cujo arranque está previsto para 2028, e “será construída em via dupla eletrificada, com uma velocidade máxima de projeto de 300 km/h, para tráfego exclusivamente de passageiros”.

O projeto prevê ainda a ligação à linha do Norte em várias soluções alternativas, possibilitando a chegada de serviços de alta velocidade à atual estação de Aveiro, tendo sido estudadas “três alternativas possíveis” de ligação na zona de Canelas, no concelho de Estarreja (distrito de Aveiro).

No dia 07 de junho, a Assembleia Municipal de Estarreja discutiu o traçado, tendo o presidente da Câmara, Diamantino Sabina, adiantado que iria propor a “alternativa zero”, exigindo que o projeto seja abandonado, argumentando que o município é já atravessado pela Linha do Norte e por duas autoestradas, a A1 e a A29, além de um gasoduto, e ficará ainda mais “retalhado” com a linha e a sua ligação à Linha do Norte, que vai “separar” a União de Freguesias de Canelas e Fermelã, em Canelas.

Já os sete partidos representados na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira aprovaram, em 14 de junho, o traçado da Linha de Alta Velocidade que não prevê demolições nesse concelho do distrito de Aveiro, mas para o presidente da Câmara, Emídio Sousa, as propostas da IP não tiveram em conta projetos que representam “100 milhões de euros e 1.200 postos de trabalho” em investimentos já previstos para as zonas a expropriar, nomeadamente nas áreas de expansão do parque empresarial LusoPark.

A Câmara de Ovar aprovou por unanimidade, no dia seguinte, a Alternativa 2.1 proposta pela IP para a linha, por ser essa a que melhor preserva Arada e Válega, “rejeitando em absoluto a Solução B”, que foi a aprovada pela autarquia contígua de Santa Maria da Feira, por não prever demolições naquele concelho.

No total do projeto Porto-Aveiro, são propostas as soluções de traçado A e B, dois “corredores alternativos com início comum em Oiã”, no concelho de Oliveira do Bairro (distrito de Aveiro), e “final na agora prevista estação AV de Vila Nova de Gaia, localizada em Santo Ovídio”, com 66 quilómetros de extensão, existindo uma única solução C entre Santo Ovídio e Campanhã, de 4,4 quilómetros, que implica a construção de uma nova ponte sobre o Douro.

A futura travessia promove uma “semelhança de imagem” com a ponte Luís I, tendo “tráfego ferroviário no tabuleiro superior e tráfego rodoviário, ciclável e pedonal, no tabuleiro inferior”, e custará 110 milhões de euros.

No Porto, a inserção da linha de alta velocidade na atual estação de Campanhã vai afetar os conjuntos habitacionais conhecidos como ‘ilhas’ daquela zona, mas só depois de concluídos os projetos de execução serão conhecidas “com absoluto rigor” as propriedades afetadas, segundo a IP.

O documento especifica que o projeto “poderá afetar 42 habitações, pelo que se estima que o número de famílias e indivíduos afetados seja, pelo menos, de 21 famílias e 43 indivíduos”, mas também refere que “os bairros afetados pelo projeto terão uma população de 46 famílias e 96 indivíduos”.

Concelho de Idanha-a-Nova recebe 6.º Encontro Ibérico para a Música na Infância

A Orquestra Sem Fronteiras (OSF) organiza, no domingo, o 6.º Encontro Ibérico para a Música na Infância, em Salvaterra do Extremo, no concelho de Idanha-a-Nova.

“O 6º. Encontro Ibérico para a Música na Infância tem como foco principal a ideia de preparação para a notação musical, nomeadamente a sua escrita e leitura, partindo do conceito do som para o símbolo”, referiu, em comunicado, o município de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco.

O evento realiza-se no domingo, a partir das 10:00, na antiga Casa da Câmara de Salvaterra do Extremo, no concelho de Idanha-a-Nova.

Trata-se de uma iniciativa com caráter formativo e que vai ser ministrada por Catarina Távora e Carlos Guerrero Bullejos, ambos detentores do grau académico “Master of Music Education – Specialization – Music Education According to the Kodály Concept” pelo Real Conservatório de Haia.

A OSF organiza anualmente, desde 2019, os Encontros Ibéricos para a Música na Infância, iniciativa de caráter formativo que contempla componentes de prática pedagógica sobre educação musical.

O objetivo passa por incentivar a incorporação de práticas musicais em contextos escolares, tendo como base a filosofia e o conceito de educação musical de Zoltán Kodály.

O Encontro Ibérico para a Música na Infância é destinado a educadores de infância, professores do 1.º ciclo do ensino básico, auxiliares de educação, instrumentistas e professores de música, pais, encarregados de educação.

Conta com a parceria do município de Idanha-a-Nova, onde tem sede a OSF, dedicada a apoiar o talento jovem da Raia ibérica e a difundir a cultura de forma ampla e acessível.

A OSF é um projeto inovador na Península Ibérica, nomeadamente no contexto raiano, e tem como objetivo proporcionar oportunidades a jovens músicos que pretendam fixar-se no interior para desenvolver a sua atividade profissional, sem que tenham de deslocar-se para os grandes centros urbanos ou para o estrangeiro.

O projeto conta com o apoio de mecenas e parceiros privados, de autarquias e dos ministérios da Educação e da Cultura, assim como do Ministério da Economia, através da Secretaria de Estado da Valorização do Interior.

A sua estreia ocorreu no dia 22 de março de 2019, com um concerto no Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova.

GNR de Aveiro apreende 30 quilos de amêijoa que terá sido capturada ilegalmente

A GNR apreendeu na sexta-feira, em Aveiro, 30 quilos de amêijoa-macha que terá sido capturada ilegalmente, uma contraordenação com multas que podem chegar aos 2.000 euros, informou hoje aquela polícia militar.

Em comunicado, a GNR refere que foram identificados dois homens, de 35 e 36 anos, a praticar mergulho recreativo para apanha de molusco bivalves vivos.

A ação de fiscalização teve como objetivo fiscalizar a prática de mergulho ilegal.

A GNR descreve que foram apreendidos cerca de 30 quilos de amêijoa-macha, bem como todo o equipamento de mergulho.

Foram ainda elaborados dois autos de contraordenação, cuja coima pode atingir os 2.000 euros.

Quanto aos moluscos bivalves, por ser encontrarem vivos, “serão devolvidos ao seu habitat natural”, acrescentou esta força de segurança, aproveitando para alertar que, “tendo em conta a preservação de recursos naturais e culturais, os mergulhadores não podem proceder à captura, manipulação ou recolha de espécies biológicas”.

Também está proibida a recolha ou manipulação de elementos do património natural, bem como a realização de quaisquer outras atividades intrusivas ou perturbadoras do seu envolvimento.

Igreja em Castelo de Paiva reclassificada como monumento de interesse público

O Governo reclassificou como monumento de interesse público a Igreja de Santa Marinha, paroquial de Real, no concelho de Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, segundo uma portaria publicada hoje em Diário da República.

Na portaria da Secretaria de Estado da Cultura refere-se que a reclassificação inclui o património móvel integrado, o adro e a escadaria daquele imóvel, e fixa também a respetiva zona especial de proteção.

“O imóvel setecentista é composto por um corpo de arquitetura austera, com fachadas sóbrias, torre sineira de grandes dimensões e elementos decorativos concentrados no portal principal”, descreve-se na portaria.

No interior, com nave coberta por abóbada de berço com pinturas decorativas, coro alto assente sobre mísulas e capelas laterais e colaterais, destaca-se o conjunto de talha rococó dourada e policromada.

A igreja é rodeada por adro com muro de balaústres a marcar as duas entradas.

Para a tutela, “o conjunto, de volumetria destacada na paisagem de Castelo de Paiva, conserva exemplarmente a feição setecentista original, reconhecendo-se, na sua representatividade artística e particular unidade cronológica, arquitetónica e plástica, elementos que justificam a reclassificação para uma categoria de interesse nacional”.

É ainda referido que “a zona especial de proteção tem em consideração a implantação e a envolvente urbanística do imóvel, incluindo o restante edificado com interesse patrimonial, de forma a preservar o enquadramento do bem, assim como os pontos de vista e as perspetivas da sua contemplação e fruição”.

Rua da Sofia continua o “patinho feio” do património classificado de Coimbra

A Rua da Sofia integra a zona de Coimbra classificada como património mundial desde junho de 2013, mas dez anos depois mantém-se como uma espécie de “patinho feio”, onde pouco parece ter mudado.

“Vive uma menina recatada/ Ao fundo da avenida numa rua/ De dia de gente está cercada/ De noite às escuras seminua”, canta Aguinalda Amaro, que abriu o café Sofia há 11 anos e que por lá passa 12 a 14 horas por dia.

A letra que Aguinalda canta é resgatada da marcha feita para o espetáculo “Sofia, Meu Amor”, da rede Artéria, que foi apresentado há cinco anos, com a canção a perguntar, a dada altura: “Sofia, onde está a tua alegria?”.

A marcha resume o que Aguinalda Amaro pensa sobre estes últimos dez anos, depois de a Rua da Sofia, ter sido classificada, juntamente com a Universidade de Coimbra e Alta, como património mundial.

Naquela rua criada no século XVI à imagem da Sorbone, em Paris, onde foram erguidos setes colégios e as suas igrejas, “nada mudou” nos últimos dez anos, resume a “gerente, proprietária, cozinheira e animadora social” do café Sofia.

À frente do café, Aguinalda ouve os guias a contextualizarem a rua, dentro de autocarros cheios de turistas. Estão apenas de passagem. Seguem em direção à Alta, onde largam os visitantes por umas horas. Veem a Universidade, descem o Quebra Costas e retomam viagem na Portagem, depois de passarem pela Ferreira Borges, onde em 150 metros têm à escolha dez lojas de souvenirs.

“Vejo todos os dias, camionetas a passarem aqui na rua, com os guias a falarem da Sofia e tal, mas nem param”, lamenta a proprietária do café, que vê a Sofia como “o patinho feio do património” classificado em Coimbra.

Um ano depois de abrir o café, o anúncio da classificação deu-lhe esperanças de que algo pudesse mudar, mas nada se vê, vinca.

“Mas também o que é que podem mostrar?”, pergunta, reconhecendo que a maioria dos colégios estão nas mãos de privados e pouco há que se possa visitar.

Parte do Colégio da Graça, que sofreu obras de reabilitação por parte da Universidade de Coimbra e serve o Centro de Estudos Sociais e o Centro de Documentação 25 de Abril (outra parte é utilizada pela Liga dos Combatentes), o Colégio de São Tomás é a sede do Tribunal de Coimbra, e outros colégios (ou o que resta deles) têm outras ocupações, como habitação, lar de idosos e comércio.

Em 2022, a Rua da Sofia recebeu pela primeira vez o evento organizado pela Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC) “Ao Encontro da Sofia”, um dia em que a rua fica encerrada ao trânsito automóvel.

Este ano, o evento repetiu-se, na esperança de a cidade se reencontrar novamente com a Sofia e mostrar o potencial de a pedonalizar.

Aguinalda participou – aliás, participa em tudo o que possa dar vida à rua –, mas mostra-se reticente quanto aos benefícios de a Sofia ser parcialmente pedonalizada.

Já o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, acredita que será a entrada em circulação do ‘metrobus’ e a posterior pedonalização parcial da Sofia a solução para a rua.

“Dedicar a Rua da Sofia aos peões e aos transportes públicos vai estimular a vida daquela rua. Está tudo a ser estudado para ser implementado após o Metro Mondego entrar em funcionamento”, vincou, acreditando que essa pedonalização parcial dará “outra centralidade” àquela via.

O autarca reconhece que a Rua da Sofia “não foi objeto da mesma atenção que a Alta”, até por a maioria dos colégios serem privados e a capacidade de intervenção das entidades públicas ser “mais limitada”.

“A Câmara tentou adquirir um dos colégios e não conseguiu. Agora, está-se a desenvolver um diálogo tranquilo com a Ordem Terceira, que ela própria está interessada em reabilitar o seu espaço [Colégio do Carmo], que é magnífico”, referiu.

A presidente da APBC, Assunção Ataíde, também acredita que a pedonalização da rua poderia torná-la “mais interessante”.

“Aquela rua sem trânsito é fantástica, mas com trânsito é impossível”, vincou, recordando que no passado havia receio em fechar a rua Ferreira Borges ao trânsito, sendo hoje uma zona muito movimentada, especialmente por turistas.

João Paulino, que preside ao núcleo de Coimbra da Liga dos Combatentes, é da mesma opinião e acredita que o fim do trânsito na rua poderia alterar “a sua filosofia”.

Ali, faz questão de ter sempre as portas abertas dos claustros do Colégio da Graça, a zona do edifício que a entidade ocupa.

Os claustros vão servindo para vários eventos de índole cultural, mas é visível a falta de investimento na requalificação do colégio que sofre de infiltrações e não há sequer uma contextualização para os poucos turistas que o visitam, lamenta João Paulino, que, sempre que pode, faz as vezes de guia a qualquer visitante curioso.

“Uma equipa da Direção Regional da Cultura do Centro já veio avaliar os custos da requalificação do colégio, mas nunca se avançou com qualquer projeto”, aponta, vincando que este é um dos poucos espaços que podem ser visitados na Rua da Sofia.

Se na Liga dos Combatentes, a cultura tem ajudado a dar a conhecer os claustros do colégio, Aguinalda Amaro aponta também para a arte como boia de salvamento.

“As duas coisas mais lindas que fizeram pela rua foi o concerto da Orquestra Clássica do Centro no Tribunal de Coimbra, que deixou a Sofia tão bonita, e o espetáculo ‘Sofia, meu Amor’, que nunca me vou esquecer. Foi lindo ver tanta gente na Rua da Sofia e senti, talvez pela primeira vez, amor-próprio por parte da rua”, salienta.

A proprietária do café tem mais dúvidas do que certezas sobre o que poderá resultar. Sugere teatro, revista, concertos de fado, mas também fechar a rua “de três em três meses” para se dar a conhecer à cidade, que passa sempre nela de passagem.

“Não sei, mas é preciso fazer algo, mas fazer para o povo, que a Rua da Sofia é do povo”, vinca.

“Sofia, quantas voltas eu daria/ Quantas marchas cantaria,/ P’ra te ver sorrir também?”, canta-se no refrão da marcha que ainda hoje Aguinalda guarda na memória.

Câmara de Coimbra admite a possibilidade de posse administrativa do Sousa Bastos

O presidente da Câmara de Coimbra admitiu a possibilidade de tomar posse administrativa do antigo Teatro Sousa Bastos, situado na Alta da cidade, que tem um projeto de reabilitação aprovado desde 2017, mas que não conheceu qualquer avanço.

“Neste momento, a única solução alternativa [para o Sousa Bastos, abandonado desde a década de 1990] é a Câmara tomar posse administrativa do edifício e recuperá-lo”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva.

Segundo o autarca eleito pela coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS-PP/Nós,Cidadãos!/PPM/Volt/RIR/Aliança), a posse administrativa do edifício é “uma possibilidade que está em cima da mesa e só ainda não avançou não por falta de vontade, mas por falta de capacidade de resposta [financeira] da Câmara de Coimbra”.

“Mas que não tenhamos dúvidas de que se os privados não reabilitarem os seus edifícios, a Câmara, no futuro e com a legislação que já existia, irá tomar posse administrativa de alguns edifícios, reabilitá-los e imputar a despesa aos proprietários”.

O Teatro Sousa Bastos está abandonado desde os anos 1990, estando situado na Alta de Coimbra, que, juntamente com a Universidade e Rua da Sofia, está classificada como património mundial há dez anos.

Em 2017, a Câmara de Coimbra, na altura liderada pelo PS, aprovou um projeto para transformação do espaço num bloco de apartamentos, reservando uma parte para um espaço cultural, num empreendimento da empresa Eiclis, proprietária do edifício.

“O processo de licenciamento foi muito demorado e quando o projeto foi aprovado coincidiu com outros projetos que temos em curso. O imóvel continua em carteira, mas continuamos sem data para avançar [com as obras]”, afirmou à Lusa Nuno Órfão, da Eiclis.

O responsável explicou que a empresa tem “outros investimentos que são mais prioritários”.

Já sobre o futuro da Casa da Escrita, espaço municipal também situado na Alta de Coimbra, José Manuel Silva referiu que pretende que aquela estrutura evolua “para uma casa da cidadania da língua portuguesa”, face ao seu passado de apoio a várias pessoas “com intervenção antifascista ativa”.

A antiga casa de João Cochofel deverá passar a ter um trabalho em parceria com outras instituições, como a Associação Portugal-Brasil 200 anos e a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

“Queremos recuperar a vertente de residência artística e alargar a casa a todas as formas de arte, num espaço que possa congregar outras instituições na sua dinamização”, avançou, referindo que o espaço será programado “por uma equipa múltipla” em que participem diversas entidades.

Desde a classificação da Universidade de Coimbra, Alta e Rua da Sofia como património mundial, foram registadas 59 operações de reabilitação em património privado na zona do polo I e 52 licenças de obra para a Universidade de Coimbra ao longo dos últimos dez anos.

De momento, estão a decorrer 16 processos relativos a operações urbanísticas na Alta, referiu o município.

Turismo em Coimbra cresceu nos últimos dez anos, mas ainda há muito por fazer

A classificação de Coimbra como património mundial há dez anos, aliada à atratividade do país enquanto destino, fizeram aumentar quase todos os indicadores do turismo na cidade, mas a média de pernoitas permanece quase inalterada.

A 22 de junho de 2013, Universidade de Coimbra, Alta e Rua da Sofia foram declaradas património mundial pela UNESCO, num momento que coincidiu com a afirmação de Portugal como destino turístico.

Ao longo dos últimos dez anos, Coimbra acompanhou esse ritmo e colheu frutos desse crescimento, com a Universidade de Coimbra a passar dos 250 mil visitantes em 2013 para 501 mil em 2017 (melhor ano até agora), estando ainda a recuperar dos efeitos da pandemia (conseguiu mais cerca de 30 mil visitantes entre janeiro e maio deste ano face a 2022), disse à agência Lusa fonte oficial da instituição.

Das capitais de distrito da região Centro, só Aveiro tem mais registos de alojamento local (667) do que Coimbra, que, mesmo assim lidera na capacidade desses mesmos alojamentos (4.519 pessoas), de acordo com o portal da Turismo de Portugal consultado pela Lusa.

Entre 2013 e 2023, Coimbra passou de 18 alojamentos locais para 592, com o número a subir de forma constante, mesmo durante a pandemia.

Em 2019, chegou a ter uma proporção de hóspedes estrangeiros de 61,3% (mais 12 pontos percentuais face a 2013) e os proveitos económicos registados pelos alojamentos turísticos mais do que duplicou entre 2013 e 2019, passando de 15 milhões de euros para 32 milhões de euros, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

No entanto, se há dado que permanece praticamente igual é a média de noites passadas na cidade, passando de 1,5 em 2013 para 1,6 em 2021 (último ano com dados disponíveis).

Para o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, a classificação como património mundial impulsionou o crescimento do turismo na cidade, mas admite que a cidade também beneficiou da “moda em que Portugal se tornou na área do turismo”.

“A cidade beneficia do turismo, mas faltam programas adicionais para manter os turistas durante mais noites em Coimbra. Coimbra e a região precisam de programas que retenham turistas mais tempo”, vincou, aclarando que o executivo está a trabalhar na interação com os operadores turísticos.

Já o presidente da delegação de Coimbra da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), José Madeira, apesar de considerar que a classificação deu “reconhecimento internacional” à cidade e permitiu manter Coimbra como “competitiva face a outros destinos nacionais”, falta “muito trabalho”.

“Não há um plano estratégico para a promoção turística da cidade. A grande maioria dos turistas que cá chega não sabe que Coimbra é património mundial, mas sai sempre daqui encantado. O problema é que mesmo que na receção se mostre que Coimbra vale mais do que uma noite, o turista já tem hotel marcado para o dia seguinte em Lisboa ou no Porto”, vincou.

Nesse sentido, José Madeira considera que o trabalho mais importante tem de ser feito “longe de casa”, de promoção do destino nos principais mercados.

Para além disso, o presidente da delegação regional da AHRESP sugere que se repense o tipo de turismo que a cidade quer, onde ainda há uma forte presença de grupos de turistas, que apenas passam umas horas na cidade.

“Eles vêm, sujam a cidade, entopem a Universidade, não pagam taxa turística, não dormem e muitas vezes nem comem na cidade. Esses grupos são uma gota de água na economia da cidade e deveriam ser os primeiros a pagar a taxa turística”, defendeu.

Apesar disso, José Madeira reconhece os vários benefícios vividos nos últimos dez anos.

A taxa de ocupação aumentou, assim como o número de quartos disponíveis e os efeitos da sazonalidade já não se notam de forma vincada como se faziam notar há dez anos, constatou.

“Coimbra tem uma história fantástica, mas tem de fazê-la chegar a casa das pessoas, antes de elas decidirem quanto tempo ficam”, disse.

PCP inicia hoje jornadas parlamentares na Serra da Estrela com foco no ambiente

O PCP inicia hoje jornadas parlamentares na Serra da Estrela com foco no ambiente, quase um ano depois de a região ter sido fustigada por um incêndio, e também paragens nos distritos de Castelo Branco e da Guarda.

As jornadas arrancam às 09:00 na Covilhã, com uma visita ao Museu de Lanifícios na Universidade da Beira Interior (UBI), seguindo-se, às 11:00, a tradicional sessão de abertura, que contará com intervenções do secretário-geral do partido, Paulo Raimundo, e da líder parlamentar comunista, Paula Santos.

Entre hoje e terça-feira, os deputados do PCP terão iniciativas em vários concelhos que compõem o parque nacional da Serra da Estrela, tendo como foco, segundo disse aos jornalistas Paula Santos, as questões “que se prendem com o ambiente o impacto dos incêndios”.

“Estamos a falar de um parque natural que foi fustigado por um incêndio há menos de um ano e queremos fazer a avaliação dos impactos, mas também daquilo que é necessário para a recuperação das áreas protegidas, de biodiversidade, da natureza”, afirmou a líder parlamentar do PCP.

Em 06 de agosto de 2022, deflagrou um incêndio na região da Serra da Estrela que passou por dois distritos (Castelo Branco e Guarda) e seis concelhos, tendo consumido cerca de 24 mil hectares de terreno. Segundo a Proteção Civil, foi o maior incêndio dos últimos 47 anos naquela região.

No programa das jornadas parlamentares do PCP está previsto um encontro com a população da aldeia de Gonçalo, no distrito da Guarda e que foi afetada por este incêndio, e reuniões com o comandante dos Bombeiros Voluntários da Covilhã e com um vogal do conselho diretivo do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

“Temos, no quadro do nosso programa, um conjunto de encontros previstos (…) com produtores, com os baldios, com associações e entidades que intervêm na área do ambiente e até inclusivamente com o próprio parque natural”, referiu Paula Santos.

A par da temática ambiental, a líder parlamentar do PCP indicou que nas jornadas serão também abordados temas como a produção nacional, a proximidade dos serviços públicos ou as “preocupações com a criação de emprego”, aspetos que considerou terem mais premência numa “região do interior” como a Serra da Estrela.

“As questões da fixação da população nestas regiões – que têm sentido o abandono por parte das respostas do Governo em diversas matérias – serão questões que teremos presente”, acrescentou.

Sobre estes temas, o PCP tem agendada uma visita a uma exploração agropecuária na aldeia de Valhelhas, distrito da Guarda, e reuniões com a União dos Sindicatos de Castelo Branco, o reitor da UBI e com a direção do agrupamento de escolas Frei Heitor Pinto.

Paula Santos sustentou que se trata de um “programa diversificado” e numa “região que necessita de investimento para potenciar as suas riquezas”, em particular as “riquezas naturais”.

Na terça-feira, as jornadas parlamentares do PCP deverão terminar às 16:00, com uma conferência de imprensa de apresentação das conclusões.

As últimas jornadas parlamentares do PCP decorreram entre 30 e 31 de janeiro, em Beja, com foco nos transportes, e em particular a ferrovia, a produção agrícola e infraestruturas.

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