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Professores ameaçados para substituir colegas em greve em Ovar, agrupamento nega

Vários professores da escola EB 2,3 Florbela Espanca em Esmoriz, Ovar, no distrito de Aveiro, terão sido ameaçados para substituir docentes que fizeram greve às provas de aferição, o que foi negado pela direção do agrupamento.

O caso ocorreu na passada sexta-feira, durante a realização das provas de aferição de português aos alunos do 5.º ano.

Em declarações à Lusa, a delegada sindical do Sindicato de Todos os Profissionais de Educação (STOP), Branca Célia Dias, disse que os professores vigilantes e os suplentes faltaram e “professores que não estavam convocados para aplicar a prova foram obrigados a substituir os professores em greve”.

“A subdiretora ameaçou colegas que tinham que substituir os professores que estavam a fazer greve sob ameaça de lhes aplicar faltas injustificadas ou processos disciplinares”, acrescentou a mesma responsável, adiantando que os docentes acabaram por ir substituir os colegas.

O caso foi participado pela delegada sindical à PSP.

A Lusa tentou confirmar junto da PSP, mas tal não foi possível até ao momento.

A Lusa questionou a direção do Agrupamento de Escolas de Esmoriz – Ovar Norte, que rejeitou qualquer tentativa de ameaça aos professores.

“Estamos a cumprir tudo o que está previsto na lei”, assegurou a diretora do agrupamento, Estela Tomé, negando que tenham sido chamados professores que não estavam convocados para fazer a prova.

A responsável referiu ainda que, tal como está previsto, os professores suplentes “foram fazer a suplência dos professores em falta”. “Tivemos professores que decidiram fazer greve e tivemos professores que não decidiram fazer greve”, acrescentou.

Grupo de mulheres insiste na criação de comissão de investigação a assédio em Coimbra

Um grupo de mulheres reiterou hoje a necessidade de constituição de uma comissão de investigação aos alegados casos de assédio moral e sexual que terão ocorrido no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

“O nosso coletivo está focado em pressionar a constituição de uma comissão centrada na proteção das vítimas e não na defesa dos agressores: esse é o nosso objetivo. É imprescindível que a comissão seja instaurada e que a absoluta independência da comissão em relação ao CES seja garantida”, destacou este grupo, numa carta a que a agência Lusa teve acesso.

Três investigadoras que passaram pelo CES da Universidade de Coimbra denunciaram situações de assédio num capítulo do livro intitulado “Má conduta sexual na Academia – Para uma Ética de Cuidado na Universidade”, publicado pela editora internacional Routledge.

Os investigadores Boaventura Sousa Santos e Bruno Sena Martins acabaram suspensos de todos os cargos que ocupavam no CES, até ao apuramento das conclusões da comissão independente que a instituição está a constituir para averiguar as acusações de que são alvo.

Depois da divulgação do capítulo do livro, em abril, chegaram “testemunhos de outras três vítimas” à rede de advogadas feministas no Brasil que, numa carta com data de hoje, afirmaram que pretendem que os factos sejam apurados na íntegra e que haja “respeito pelos direitos das vítimas e pelas suas histórias de dor e sofrimento”.

“Queremos justiça! A necessária investigação dos casos tem de assegurar um espaço em que as vítimas possam testemunhar sem medo de retaliações”, acrescentaram.

Há quase dois meses, este grupo de mulheres já tinha enviado uma carta aberta ao CES, a exigir a constituição de uma comissão de investigação “totalmente independente e imparcial”, para que se sintam seguras a denunciar e juntar provas.

“Desde a primeira carta que endereçamos ao CES, muito embora tenhamos obtido uma resposta célere e indicando preocupação em garantir os direitos das vítimas, nada se alterou. O que temos visto é Boaventura [Sousa Santos] a usar o poder que tem para garantir tempo de antena e veicular à exaustão a sua versão dos factos, enquanto nós aguardamos e torcemos para que os procedimentos do CES sejam escorreitos e garantam que os nossos direitos serão respeitados e que seremos acolhidas num contexto seguro para apresentarmos as nossas histórias, juntamente com as evidências que estamos reunindo], referiram.

Na missiva, o grupo de mulheres diz ainda sentir-se inseguro em relação à forma como essa comissão irá funcionar, questionando quando serão conhecidos os termos do seu funcionamento, nomeadamente em relação à sua constituição, autonomia, objetivos, regras éticas e de sigilo.

“Enquanto o CES não constituir a prometida comissão de investigação, é Boaventura quem fica a ganhar, porque tem poder para controlar a narrativa. Enquanto ele prepara a sua comunicação de crise, sem reconhecer uma única falha concreta, as nossas carreiras e nossas vidas continuam abaladas, sem um fim à vista”, indicaram.

A carta alude ainda à reflexão autocrítica que Boaventura Sousa Santos faz ao seu comportamento, na sequência das acusações de assédio sexual e moral, num artigo de opinião publicado no Expresso, com o título “Uma reflexão autocrítica: um compromisso para o futuro”.

“A desigualdade continua a pesar sobre nós e as nossas cartas não são publicadas à mesma velocidade e no mesmo número de meios de comunicação social. Continuamos aqui a reviver os traumas e contamos apenas umas com as outras: a nossa cura ainda está por fazer”, evidenciaram.

O coletivo de mulheres defendeu que se trata de uma “autocrítica vazia de responsabilização”, que “não recompõe danos, nem supera desigualdades”.

“Temos as nossas histórias para exigir verdadeira responsabilização, sabemos que o que sofremos não foram situações inofensivas de um professor que ficou parado no tempo e não se apercebeu que o mundo andou. Falamos de um padrão sistemático de abusos que foi reproduzido com diferentes mulheres, em situações diversas”, alegaram.

Em meados de maio, o sociólogo Boaventura Sousa Santos enviou uma carta aos órgãos sociais e associados do CES a apelar à criação, com “máxima urgência”, da comissão independente que investigará as acusações de assédio de moral e sexual contra si.

“Preocupa-me que não haja ainda (…) uma comissão independente para averiguar as denúncias. O CES não pode ficar de braços cruzados sem reagir às denúncias efetuadas. Também me preocupam as consequências que podem advir desta passividade por parte do CES, que podem pôr em causa a sua existência”, alertou na altura.

Contactado pela agência Lusa, o CES confirmou que a comissão de investigação ainda não foi constituída.

Alunos gastam em média 518 euros por mês para estudar na Universidade de Coimbra

Os estudantes da Universidade de Coimbra gastam em média 518 euros por mês, sem contar com a propina, concluiu um estudo promovido pela Associação Académica de Coimbra (AAC), que exigiu o aumento do número de bolsas e do seu valor.

O estudo, com base num inquérito ‘online’ dirigido aos estudantes da Universidade de Coimbra (UC), concluiu também que cerca de 40% dos inquiridos já pensaram em abandonar o ensino superior, disse o presidente da AAC, João Caseiro, que falava à agência Lusa à margem da apresentação dos resultados que decorreu hoje à tarde.

O estudo, que contou com 1.328 respostas e teve a ajuda do Centro de Estudos Sociais (CES), começou a ser desenvolvido em 2022, com o objetivo de apurar os gastos médios suportados pelos estudantes da UC que vão para além da propina.

A despesa média maior centra-se no alojamento (229,87 euros), seguindo-se a alimentação (125,78 euros) e as deslocações entre cidade de origem e Coimbra (63,21).

Para as despesas, são ainda contabilizadas as deslocações dentro da cidade (26,81 euros), despesas pessoais (61,65) e material escolar (11,30), componente que em alguns cursos sobe drasticamente, como é o caso de Arquitetura, Direito ou Medicina Dentária, realçou João Caseiro.

A maioria dos inquiridos vive em apartamentos partilhados (71%), quase metade raramente frequenta as cantinas da UC e cerca de 50% usa transportes públicos.

Para além dos 518 euros por mês, João Caseiro destacou os 69 euros que todos os estudantes têm de gastar por mês na propina.

“A despesa é cada vez maior e, se se fizer o estudo daqui a um ou dois anos, o valor médio que hoje é gasto em alojamento ficará obsoleto. Os gastos mensais são quase um salário mínimo e o ensino superior acaba por ser incomportável para os bolsos da maioria das famílias”, realçou o dirigente estudantil.

Para João Caseiro, é fundamental o Governo aumentar o número de bolsas, mas também o seu valor, e acabar gradualmente com a propina, que reduziria os encargos que os estudantes e as suas famílias têm.

“É preciso rever o sistema de ação social”, defendeu, sublinhando que o estudo permite também “dar suporte” às reivindicações dos estudantes, que agora têm em mão dados concretos sobre as despesas médias dos alunos da UC.

De acordo com o estudo, o valor mensal (com a propina contabilizada) corresponde a cerca de 63,41% do rendimento médio per capita mensal em Portugal, com a propina a contribuir 13,87% para a despesa.

“A AAC urge o Governo português a tomar medidas objetivas e concretas de forma a mitigar as questões levantadas que, enquanto persistirem, servem apenas para manter as desigualdades económicas verificadas no Ensino Superior”, defendeu a Associação Académica de Coimbra.

Incêndios: Região de Leiria recomenda que não se autorizem queimadas até 30 de setembro

O Conselho Intermunicipal da Região de Leiria recomendou hoje aos seus municípios para não autorizarem queimadas até 30 de setembro, dada a necessidade de reduzir o risco nos espaços florestais no período mais favorável à ocorrência de incêndios.

Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós são os municípios que integram a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria. No Conselho Intermunicipal estão os presidentes destas Câmaras.

A recomendação, a que a agência Lusa teve acesso, começa por referir que no diploma que estabelece o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais “é permitida a realização de queimadas mediante autorização do município ou comunicação prévia [quando realizadas por técnicos credenciados em fogo controlado]”, exceto se for “verificado o nível de perigo de incêndio rural ‘muito elevado’ ou ‘máximo’, em que a sua realização não é permitida”.

Já no que respeita à queima de amontoados e à realização de fogueiras, “quando o índice de perigo de incêndio rural seja inferior ao ‘muito elevado’”, a queima de amontoados “depende da autorização da câmara municipal entre 01 de junho e 31 de outubro”.

O documento destaca “o registo histórico de perigosidade elevada na totalidade dos municípios da Região de Leiria”, pelo que “existe a necessidade de uniformização de um procedimento à escala intermunicipal que reduza as práticas de risco nos espaços florestais por parte da população durante o período mais favorável à ocorrência de incêndios rurais”.

Por outro lado, a deliberação nota que “a maior parte dos incêndios rurais registados” em 2021 e 2022 “tiveram como causas o uso negligente do fogo, como queimas ou queimadas, e fogo posto”, conforme informação divulgada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Esta matéria é “motivo de preocupação acrescida quando os especialistas e o ministro da Administração Interna dizem que este “é o ano com maior risco de incêndio” das últimas duas décadas, alertando para o “elevado risco de incêndios florestais” devido a vários fatores, incluindo a seca meteorológica, que “afeta a generalidade do território nacional”.

Nesse sentido, e após analise do Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal, “tendo em consideração as dinâmicas sociais e climáticas” do território da CIMRL, foi definido o período entre hoje e 30 de setembro “para o estabelecimento de uma recomendação a todos os municípios da região, para que não se autorizem queimadas ou queimas de amontoados” neste território neste período, incluindo a suspensão dos pedidos de comunicações prévias.

Esta recomendação vai ser dada a conhecer à Comissão Sub-regional de Gestão Integrada de Fogos Rurais da Região de Leiria, assim como à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Guarda Nacional Republicana, ICNF e Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais.

Assembleia Municipal de Manteigas contra encerramento de extensões de saúde

A Assembleia Municipal de Manteigas, no distrito da Guarda, aprovou, por unanimidade, uma moção a exigir que as extensões de saúde das freguesias de Sameiro e de Vale da Amoreira não encerrem.

“O previsível encerramento das extensões do Centro de Saúde de Manteigas naquelas duas freguesias vai aumentar ainda mais as suas dificuldades, tendo em consideração a percentagem de população idosa e com dificuldades de locomoção”, é referido no documento, aprovado na última reunião do órgão.

Na moção, apresentada pelo PSD, é também mencionada a “falta de transportes públicos entre estas duas freguesias e a sede de concelho”.

A Assembleia Municipal de Manteigas apontou ainda a “falta de médicos” com que se debate o Centro de Saúde da vila, uma situação que o órgão considerou necessário resolver.

“Tendo em consideração que o Centro de Saúde de Manteigas se debate com falta de médicos, é urgente e imperioso que seja colmatada essa deficiência”, reivindicaram os 19 eleitos presentes na sessão.

O documento, aprovado em 28 de abril, foi remetido ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao presidente da Assembleia da República, ao ministro da Saúde, a todos os grupos parlamentares na Assembleia da República e à Unidade Local de Saúde da Guarda.

Tábua: Água reciclada é oportunidade para substituir o uso das barragens 

O ministro do Ambiente e da Ação Climática disse hoje que o tratamento de águas residuais é uma “oportunidade” para substituir o uso da água das barragens na rega ou lavagens de equipamentos.

Duarte Cordeiro visitou hoje o Município de Carregal do Sal, no distrito de Viseu, e o Município de Tábua, no distrito de Coimbra, onde foram inaugurados vários equipamentos de tratamento de águas residuais, num investimento total de cerca de 6,5 milhões de euros, dos quais quatro milhões foram apoiados pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

“Tratar águas é hoje a base, não só a base de garantia de que nós temos rios e o nosso mar despoluído, como também é uma oportunidade num contexto de stress e seca. Portanto, a água reciclada vai ser uma grande oportunidade para substituir a água que temos nas nossas barragens, conservando mais as águas nas barragens para outros fins”, referiu o governante, em declarações aos jornalistas durante a visita.

O ministro apontou que estes investimentos são muito importantes na medida em que permitem substituir equipamentos que estavam “obsoletos”, das décadas de 1980 e 1990, que não tratavam as águas segundo aquilo que são os “parâmetros que hoje se exigem”.

No que respeita a Tábua, um dos equipamentos vai permitir substituir fossas que existiam.

De acordo com Duarte Cordeiro, nos últimos 30 anos, Portugal conseguiu atingir níveis de qualidade de água muito elevados.

“99% da nossa água tem qualidade” e “85% da população tem acesso ao saneamento”, frisou.

Para o governante, o tratamento de águas residuais tem um efeito muito importante, não só porque dá qualidade de vida à população, mas também porque despoluem rios e os oceanos.

“Se nós hoje temos as águas costeiras com qualidade excelente, temos muitas praias [com bandeiras] azuis, é porque temos, ao longo de 30 anos, investido no tratamento das águas, nas nossas ETAR, que ajudam a despoluir os rios quando nós devolvemos a água que é tratada depois de usada”, acrescentou.

Estes equipamentos permitem, no “futuro, olhar para estas infraestruturas e transformá-las, de hoje para amanhã, em fábricas da água, aproveitando a água que é tratada para outros usos, seja a lavar equipamentos por parte destes municípios, equipamentos públicos, seja a substituir, por exemplo, a rega de espaços verdes, seja inclusivamente utilizando na agricultura”, concluiu.

Pedrógão Grande quer criar “um dos maiores festivais literários em Portugal

O festival Miscellanea, que se realiza de dia 21 a dia 25, foi hoje apresentado pelo município de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, com a ambição de ser “um dos maiores festivais literários de Portugal”, anunciou a organização.

“É nossa ambição criar um dos maiores festivais literários em Portugal. Acho que vamos conseguir com este cartaz. Arriscámos e creio que temos um cartaz forte e ambicioso”, disse hoje a vereadora da Cultura da Câmara de Pedrógão Grande.

Dora Rodrigues, que apresentou o festival em Leiria, avançou que Miscellanea surge “com o intuito de promover o território, de baixa densidade, promover Pedrógão Grande não só entre os pares, mas também noutros concelhos, no país e, quem sabe no mundo”.

Nesta primeira edição, o lote de convidados inclui os escritores José Milhazes, Mário Augusto, Milu Loureiro, André Madaleno, João Reis, Isabel Ricardo, João Gouveia Monteiro, Raul Minh’alma, Lurdes Breda, Sofia Souto Moniz, Carolina Pascoal, José Fanha e Pedro Chagas Freitas.

São eles que serão os protagonistas das apresentações de livros, conversas, conferências, oficinas, sessões de autógrafos e de contos.

A programação reparte-se pela Casa da Cultura, a Biblioteca Municipal, o Centro de Interpretação Turística e Jardim da Devesa, e ​​​inclui ainda cinema, concertos, teatro, dança, magia, envolvendo os músicos José Rebola e Alex Lima, os atores Filipe Lima, Daniela Claro, Joana Biscaia, Jaime Monsanto, o realizador Luís Porto, o mágico Telmo Melo, os bailarinos Raquel Santos e João Fanha, entre outros.

O evento, que vai buscar o nome ao livro “Miscellanea”, publicado originalmente em 1629, “uma obra histórica de Miguel Leitão de Andrada, um escritor de Pedrógão Grande”, pretende ser “uma miscelânea de artes e cultura num mesmo festival”, descreveu.

Reavivar a tradição cultural de Pedrógão Grande, uma “vila literária de exceção”, é também uma das ambições e, por isso, nesta primeira edição relembram-se duas das várias personalidades das letras ligadas ao território, Gabriel de Magalhães e frei Luís de Granada.

“Pedrógão Grande é berço e fonte de inspiração para poetas e escritores que marcaram a literatura e a história de Portugal e do mundo: Fernão de Oliveira, Miguel Leitão de Andrada, Luís Vaz de Camões, frei Luís de Granada, frei Luís de Sousa, Gabriel de Magalhães e Roberto Pedroso das Neves, todos se inspiraram em Pedrógão Grande”, recordou Dora Rodrigues.

Na abertura de Miscellanea, no dia 21, há duas conferências em destaque:  uma subordinada ao tema ‘O padre Gabriel de Magalhães, a grande viagem e aventura de Pedrógão Grande a Pequim’, tendo como orador “o professor, poeta, sinólogo e tradutor, António Graça de Abreu”; a segunda subordinada a “Frei Luís de Granada, mestre de espiritualidade”, com os oradores Rui Carlos Antunes e Almeida Lopes, avançou a vereadora.

Segundo Dora Rodrigues, o festival “é mais um contributo” para “virar a página” depois dos incêndios de 2017. 

“Se formos ao Google e pusermos ‘Pedrógão Grande’, aparece logo a referência aos incêndios. Ninguém esquece, nem ninguém pretende esquecer”, afirmou.

Mas, agora, a intenção é “dar a conhecer este potencial através do turismo, da EN2 e também da literatura”.

“Temos de seguir em frente e virar a página”, concluiu a vereadora.

Mangualde integra projeto europeu para atrair e fixar população

O concelho de Mangualde estabeleceu uma parceria com cidades europeias com o objetivo de atrair e fixar população, através da melhoria da qualidade de vida e do aumento da atratividade do território, anunciou hoje a autarquia.

A parceria surgiu no âmbito do projeto “Residents of the future” (Residentes do Futuro) – URBACT IV, que tem um financiamento europeu no valor global de mais de 827 mil euros, recentemente aprovado.

Segundo a autarquia, Mangualde (distrito de Viseu) é o único concelho de Portugal a integrar este projeto europeu direcionado às cidades de pequena e média dimensão.

O vice-presidente da Câmara e responsável pela candidatura, João Pedro Cruz, explicou que “Mangualde foi a concurso para tentar entrar neste consórcio e, após demonstrar capacidade e ambição para atrair e fixar população, foi eleito para integrar este projeto europeu”.

“É um orgulho para Mangualde fazer parte deste projeto, é uma oportunidade única para o nosso território traçar um plano estratégico com foco no seu crescimento sustentável”, realçou.

O projeto é liderado pela cidade de Šibenik, na Croácia. Além de Mangualde, a rede “Residentes do Futuro” integra Alba Lulia (Roménia), Saldus (Letónia), Plasencia (Espanha), Kalamata (Grécia), Lisalmi (Findândia), Saint-Quentin (França), Mantova (Itália) e Trebinje (Bósnia e Herzegovina).

“A pandemia trouxe muitas mudanças à nossa sociedade e esta rede irá explorar novas formas de aumentar a atratividade das cidades para atrair e fixar novos investimentos e novos moradores”, explicou João Pedro Cruz.

Nesse sentido, “lutam diariamente para redefinir metas digitais para se tornarem cidades mais centradas no cidadão, com soluções holísticas e sustentáveis que permitam o crescimento verde e melhores condições de vida para sua população”, numa era pós-covid-19, que levou a “novas formas de trabalhar, viver e comunicar”.

No caso de Mangualde, a intervenção irá focar-se na concretização de um novo plano de marketing territorial, na habitação, na transição digital e na economia.

No que respeita à habitação, serão tidas em conta “as habitações vazias de forma pouco usual ou disruptiva, envolvendo de forma corresponsável a sociedade civil local” e tentando assim “contribuir para o problema da falta de habitação, bem como para a reabilitação/atratividade da paisagem urbana”.

No âmbito deste projeto, o executivo camarário espera também “desenvolver e implementar a digitalização dos serviços públicos e privados da cidade, através do acesso a ferramentas digitais de fácil utilização (transição digital)”, e “aprimorar o trabalho de regulamentação municipal, impostos municipais e incentivos sobre setores-chave da economia local, criando assim um ecossistema fértil para investimentos, geração de empregos e atração de moradores (economia)”.

Docentes da Universidade de Coimbra exigem averiguação à demissão de professor russo

Cem professores e investigadores da Universidade de Coimbra exigiram, através de um abaixo-assinado, a urgente abertura de um processo de averiguação aos factos associados à demissão do professor russo Vladimir Pliassov.

“É inaceitável, num Estado democrático de direito, garantidor da liberdade de consciência e pensamento, bem como numa universidade pública que repudia o pensamento único, alguém ser despedido sem a realização prévia de um inquérito para apuramento dos factos, sem a instauração de um eventual processo disciplinar”, lê-se no abaixo-assinado enviado à agência Lusa.

Os docentes e investigadores da Universidade de Coimbra (UC) criticaram a forma como o reitor, Amílcar Falcão, demitiu Vladimir Pliassov (acusado por dois ativistas ucranianos de “propaganda russa”), e consideraram que não foram respeitados princípios e valores, “como a presunção de inocência, ou o direito de o acusado conhecer as razões objetivas da acusação para poder efetivar o direito ao contraditório”.

Os signatários criticaram o procedimento adotado contra Vladimir Pliassov e defenderam “a necessidade de urgente abertura de um processo de averiguação dos factos imputados àquele docente que respeite escrupulosamente os seus direitos”.

Vladimir Pliassov foi acusado de “propaganda russa” por dois ativistas ucranianos, num artigo de opinião publicado no Jornal de Proença e depois replicado pelo jornal Observador, que alegaram posteriormente, na Rádio Renascença, que o docente russo seria um ex-agente do KGB.

Entre os signatários estão a ex-ministra e docente da Faculdade de Direito (FDUC) Anabela Rodrigues, a docente e deputada do PS Cláudia Cruz Santos, o ex-diretor da Faculdade de Medicina Duarte Nuno Vieira, o antigo deputado do Bloco de Esquerda e docente da Faculdade de Economia (FEUC) José Manuel Pureza, o ex-secretário de Estado e professor da FEUC José Reis, a antiga juíza do Tribunal Constitucional Maria João Antunes e o capitão de Abril e docente da FEUC Pedro Pezarat Correia.

O antigo diretor do Departamento de Arquitetura José Bandeirinha, o antigo diretor do Museu da Ciência da UC Paulo Gama Mota, o subdiretor do Colégio das Artes, António Olaio, o coordenador científico do consórcio Ageing@Coimbra, João Malva, o catedrático e regente da cadeira de Direito do Trabalho na FDUC, João Leal Amado, e os membros do Conselho Geral Adérito Araújo, Ana Paula Arnaut e Lina Coelho são também signatários do documento, entre outros.

Também assinam o abaixo-assinado vários docentes da Faculdade de Letras que já tinham sido signatários de um primeiro documento com apenas professores daquela unidade da UC, que também criticava a decisão do reitor.

O documento salienta ainda que a decisão de Amílcar Falcão “não foi explicada de modo claro e completo à comunidade universitária, nem mesmo depois da polémica pública e da reunião do Conselho Geral em que o tema foi debatido”.

Um membro do Conselho Geral, que recusou ser identificado, disse à agência Lusa que foi dado nota, na reunião de segunda-feira, de que iria ser apresentado um requerimento para serem ouvidos naquele órgão o professor Vladimir Pliassov e o diretor da Faculdade de Letras, Albano Figueiredo.

Os membros do Conselho Geral irão depois pronunciar-se sobre esse mesmo requerimento, explicou.

A agência Lusa questionou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre o caso, tendo a tutela referido que não irá pronunciar-se sobre essa matéria.

A Lusa pediu também à reitoria da UC acesso aos documentos e provas que estarão na base do despedimento do professor Vladimir Pliassov, que foi rejeitado.

Região de Leiria pede análise mais cuidada na distribuição dos meios das forças de segurança 

O presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), Gonçalo Lopes, pediu hoje uma análise mais cuidada na distribuição dos recursos das forças de segurança, fazendo corresponder os meios ao crescimento populacional.

“Achamos que deverá haver uma análise mais cuidada daquilo que é a distribuição dos recursos humanos pelo país, tendo em conta aquilo que também é o nível de crescimento populacional que as regiões têm”, afirmou à agência Lusa Gonçalo Lopes, também presidente da Câmara de Leiria.

O autarca falava à margem da reunião do Conselho Intermunicipal da CIMRL, onde têm assento os presidentes das 10 câmaras da Região de Leiria: Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

No início da reunião, foram avaliadas as condições de segurança e prevenção da criminalidade na Região de Leiria, com responsáveis da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Segundo Gonçalo Lopes, “a região de Leiria, sobretudo na área de influência da PSP, tem vindo a crescer o seu nível populacional, tendo em conta os movimentos migratórios e o facto de ser uma região pujante do ponto de vista económico”.

“Se estamos a crescer a um ritmo de 10% em termos populacionais, não poderemos estar a regredir no que diz respeito às respostas do serviço público, seja na área da segurança, seja na área da saúde”, declarou, considerando haver necessidade de um esforço na “redistribuição do efetivo, de maneira mais equilibrada”, sabendo que se está “sempre a gerir escassez”.

Gonçalo Lopes adiantou que a reunião com PSP e GNR “teve como principal objetivo fazer um ponto de situação sobre a criminalidade” na região e, também, “fazer um ponto de situação relativamente àquilo que são os próximos meses e os eventos que vão acontecer”.

O autarca explicou que se abordaram, igualmente, “as condições de funcionamento das forças de segurança, que têm um nível muito reduzido ou inferior ao necessário relativamente aos efetivos disponíveis”.

“Deixa-nos com a necessidade de reclamar para a região um reforço”, disse o presidente da CIMRL, alertando que, para se conseguir “captar e fixar estes recursos humanos, é necessário existir também investimento nas condições de trabalho”, nomeadamente as instalações.

Gonçalo Lopes avisou que se não existirem condições de trabalho, a juntar “àquilo que são as condições de remuneração e da própria carreira das forças de segurança”, pode estar-se “a criar um efeito muito negativo no que diz respeito à atratividade da região” para elementos da PSP e da GNR.

Já o comandante distrital de Leiria da PSP, superintendente José Figueira, salientou que “mais do que preocupações”, transmitiu aos autarcas “uma mensagem de esperança e dedicação da PSP à causa pública”.

Reconhecendo que “estão identificadas algumas faltas, algumas necessidades” no efetivo, José Figueira reiterou, para autarcas e população, “uma mensagem de tranquilidade e de paz”.

“A Polícia, com os meios que tem, independentemente de serem poucos ou de existirem faltas, cumpre sempre a sua missão”, garantiu.

No território da CIMRL, a PSP está presente nas cidades de Leiria, Marinha Grande e Pombal. A GNR está em todos os concelhos.

Já o major Paulo Sousa, do Comando Territorial de Leiria da GNR, realçou que esta força de segurança “tem a responsabilidade de contribuir para o sentimento de segurança que caracteriza a região”, notando que é “vista como uma das mais seguras no país”, havendo preocupação para que assim se mantenha.

O major destacou ainda o papel da GNR na questão dos incêndios rurais, incluindo sensibilização, vigilância, prevenção, fiscalização e no combate de primeira intervenção.

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