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Defesa da Soares da Costa pede absolvição no caso de hotel na Tocha

Os advogados de defesa da construtora Soares da Costa e de dois ex-responsáveis do grupo pediram, esta sexta-feira, a absolvição dos seus clientes no caso de uma alegada fraude na construção de um hotel na Praia da Tocha, Cantanhede.

Na continuação das alegações finais do processo que decorreu no Tribunal de Coimbra, os advogados dos três arguidos (construtora, ex-administrador e ex-diretor financeiro da empresa) consideraram que não foi produzida qualquer prova em sede de julgamento que aponte para um crime por parte dos seus clientes, acusados de conluio com os promotores de um hotel na Praia da Tocha, concelho de Cantanhede, cuja construção nunca terminou.

No âmbito deste processo, é pedida a restituição de 1,2 milhões de euros obtidos através de um programa de apoio da Turismo de Portugal.

O advogado que representa a construtora criticou vários pontos associados à acusação, nomeadamente o próprio processo da Turismo de Portugal, que classificou de “manta de retalhos” e “caos documental”, com folhas em falta e outras inelegíveis.

A defesa da Soares da Costa criticou a acusação por pôr todos os arguidos — promotores e construtora — “no mesmo saco”, quando em sede de julgamento “não ficou provado nenhum facto contra” a sua cliente.

“A acusação ruiu como um castelo de areia”, notou, referindo que nem a construtora nem os ex-responsáveis da empresa tinham conhecimento de que o projeto teria apoio financeiro da Turismo de Portugal quando a obra foi consignada.

A defesa considerou ainda que não ficou provado qualquer esquema ou estratagema de libertação de fundos com a promotora do hotel, recordando que, no processo de insolvência dessa empresa, são reconhecidos créditos devidos à Soares da Costa no valor de cerca de um milhão de euros.

“Faz algum sentido haver conluio e depois a Soares da Costa ficar com um buraco de um milhão de euros”, questionou, antes de pedir a absolvição da sua cliente, bem como dos ex-responsáveis da construtora.

Os advogados que representam o ex-administrador e ex-diretor financeiro também indicaram a ausência de provas que aponte quer para o crime de fraude na obtenção de subsídio — realçaram também que os arguidos não sabiam que a empreitada teria financiamento público — ou para o crime de branqueamento.

A defesa desses dois arguidos, em momentos distintos, apontou também para a ausência de prova de algum tipo de benefício financeiro que teriam recebido com o alegado esquema.

O processo julga a Soares da Costa, dois ex-responsáveis daquele grupo, dois promotores de um hotel de cinco estrelas que nunca foi concluído na Praia da Tocha, assim como duas empresas que terão sido utilizadas para o negócio, sendo suspeitos de terem participado num crime de fraude na obtenção de subsídio, no valor de 1,2 milhões de euros obtidos através de um programa de apoio da Turismo de Portugal, com candidatura aprovada em 2010.

Na anterior sessão, quando começaram as alegações finais, a procuradora do Ministério Público defendeu a condenação de todos os arguidos, considerando que a prova produzida aponta para a prática dos crimes de que são acusados.

No entanto, a mesma procuradora considerou que os arguidos devem ser condenados “em modos necessariamente diferentes”, apontando para um dos promotores, um decorador de 61 anos, que se encontra fora do país, como o “arquiteto” de todo o esquema no qual os restantes terão acabado por participar.

Também a assistente que representa moradores junto ao local onde ficaram apenas as ruínas do hotel vincou a ideia de o promotor de 61 anos ser o principal “agente”, recordando que o mesmo era “bem-falante”, soube vender “o seu produto” e ludibriar “um conjunto de pessoas”.

“Este senhor merece uma pena bem mais pesada [do que os restantes]. Vemos fotos do senhor, que está sempre em festas e em boas companhias. Tem de haver uma penalização mais forte para que estas coisas não se repitam”, asseverou.

A leitura da sentença ficou marcada para 16 de janeiro de 2023, às 14h00.

Aprígio Santos julgado em Coimbra por abuso fiscal quando liderava Naval

O antigo administrador da Naval, clube de futebol da Figueira da Foz, Aprígio Santos começa a ser julgado na terça-feira, no Tribunal de Coimbra, por um crime de abuso fiscal no valor de mais de 860 mil euros.

Quer a Naval SAD, cujo processo insolvência foi encerrado em dezembro de 2016, quer Aprígio Santos são acusados de um crime de abuso de confiança fiscal, estando em causa a não entrega de valores em dívida ao Estado relativos ao IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) e ao IRS (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares), entre 2011 e 2013.

Os arguidos não entregaram “nos cofres do Estado” os valores exigidos quer de IVA quer de IRS, constante de faturas emitidas durante aquele período, nem no prazo de 90 dias após o termo do prazo legal para a entrega, nota o Ministério Público, no despacho de pronúncia consultado pela agência Lusa, proferido em 2017.

O Ministério Público considera que Aprígio Santos optou por não entregar qualquer valor, “movido pela facilidade com que sucessivamente logrou concretizar os seus intentos, pois que, após não ter entregue os montantes referentes ao segundo trimestre de 2011, não entregou as quantias dos períodos subsequentes, em virtude das Finanças não o terem entretanto inspecionado”.

Para a acusação, o arguido teria a convicção de que a sua conduta “tinha sido bem-sucedida e permanecia impune”.

Em 2016, a Associação Naval 1.º de Maio tinha uma dívida de cerca de nove milhões de euros, tendo sido proferida sentença de declaração de insolvência desta entidade em fevereiro de 2019.

Já anteriormente, o processo insolvência da Naval SAD tinha sido dado como encerrado, em dezembro de 2016, nove meses antes de o clube, que disputou a I Liga de futebol durante seis épocas, ter decidido suspender a atividade de formação e de equipa sénior.

Desde 2014, que foram surgindo várias notícias sobre a situação financeira delicada da Naval, cuja SAD chegou a ver aprovado um Plano Especial de Revitalização em 2014.

Na altura, Aprígio Santos assegurava que essa aprovação garantiria que o clube não iria morrer.

Após o fim da Naval 1.º de Maio, foi criada a Naval 1893, que disputa a Divisão de Honra (liga distrital) de Coimbra.

Em 2021, o Jornal de Negócios noticiou que a Parvalorem, que herdou os ativos do extinto Banco Português de Negócios (BPN), pediu a insolvência da Imoholding e da Pré-Bloco Anestro, de Aprígio Santos, na tentativa de recuperar uma parte de uma dívida de mais de 140 milhões de euros daquele empresário.

Quatro encapuzados tentam assaltar hipermercado em Albergaria-a-Velha

Quatro encapuzados tentaram assaltar, esta madrugada de segunda-feira, o hipermercado Pingo Doce, em Albergaria-a-Velha.

Os suspeitos tentaram furtar o cofre mas não conseguiram abrir a porta blindada do escritório. Ainda usaram uma marreta e um pé de cabra mas sem sucesso.

O equipamento inibidor de sinal foi também utilizado, sem sucesso, para evitar o acionamento do alarme que aconteceu às 1h30. 

Fotos: Jornal de Albergaria

Pedro Gonçalves será o novo comandante distrital da GNR da Guarda

O tenente-coronel Pedro Emanuel de Jesus Gonçalves é desde esta Sexta-feira, o novo comandante do Comando Territorial da GNR da Guarda, sucedendo no cargo ao coronel Cunha Rasteiro. A cerimónia de tomada de posse, que decorrerá no Parque Urbano do Rio Diz, será presidida pelo comandante-Geral da Guarda Nacional Republicana, tenente-general José Correia.

O novo comandante é natural do concelho da Guarda, tendo nascido no dia 14 de Abril de 1978. É licenciado em Ciências Militares pela Academia Militar, na especialidade de segurança (GNR), possui uma pós-graduação em Ciências Militares e Policiais pelo Instituto de Estudos Superiores Militares e uma pós-graduação em Direito e Segurança pela Faculdade de Direito de Lisboa. Ingressou no quadro permanente da Guarda Nacional Republicana em 2000, tendo desempenhado diversas funções ao longo da sua carreira profissional, entre as quais, a de 2.º comandante do Comando Territorial da Guarda, 2.º comandante do Comando Territorial de Viseu, comandante do Destacamento Territorial da Guarda e comandante do Destacamento Territorial de Pinhel.

Trabalhadores das IPSS, Misericórdias e Mutalidades em greve na Sexta-feira

Os trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), das Misericórdias e das Mutualidades estão em greve na Sexta-feira por aumentos salariais e valorização da carreira profissional, estando também marcadas concentrações.

Os pré-avisos de greve foram apresentados por duas estruturas sindicais, um através do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, afecto à CGTP-In, e outro pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que diz respeito especificamente aos docentes que trabalham nas IPSS e Misericórdias.

Segundo a informação no site da CGTP-In e da responsabilidade do CESP, Sexta-feira é «dia de luta dos trabalhadores do sector social». «Quem trabalha numa IPSS sabe que os aumentos salariais dos últimos anos não repõem o poder de compra nem valorizam o seu trabalho», lê-se na informação, que alerta que desde 2017 que aos aumentos não têm efeitos retroactivos a Janeiro, «penalizando a generalidade dos trabalhadores».

Denuncia, por outro lado, a proposta da Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade (CNIS) para que os salários sejam aumentados apenas a partir de Julho e que todos os trabalhadores do apoio fiquem com salários abaixo dos 760 euros, ao mesmo tempo que «não aceitam assumir o compromisso de que em Janeiro de 2023 todos os trabalhadores do sector serão aumentados e valorizados» face à subida do salário mínimo nacional (SMN). «Em 2009, uma ajudante de acção directa de 1.ª recebia 106€ acima do valor do SMN. A proposta da CNIS é que em 2022 esta trabalhadora receba apenas 41€ acima do SMN», exemplifica, garantindo que não aceitam a desvalorização da profissão e que «a luta é o caminho».

Por outro lado, segundo o CESP, os trabalhadores das Misericórdias «são ainda mais desvalorizados», já que, «embora trabalhem de forma igual aos das IPSS, não têm os mesmos direitos nem salários que eles».

Em relação às Mutualidades, o CESP diz que estas estruturas «pretendem retirar direitos aos trabalhadores e não aplicar o CCT [Contrato Coletivo de Trabalho] para os Trabalhadores das IPSS», apontando como «inadmissível» que estas pessoas «com dezenas de anos de trabalho nas mutualidades continuem a receber o salário mínimo nacional, sem qualquer valorização do seu trabalho».

Nesse sentido, as exigências destes trabalhadores, que irão estar também concentrados, às 11:00, frente à CNIS do Porto e junto à sede da União das Misericórdias, em Lisboa, passam pelo aumento dos salários, a valorização da carreira profissional e a garantia da vigência do Contrato Colectivo de Trabalho a partir de Janeiro de 2022.

O pré-aviso de greve da Fenprof diz respeito especificamente aos professores das IPSS e das Misericórdias, estando também marcada uma concentração, às 11:00, frente à sede da CNIS, no Porto, e frente ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em Lisboa. «A CNIS e a UMP insistem numa política de baixos salários, sem valorização do trabalho e sem recuperação de rendimentos. Estas confederações patronais persistem num discurso de falta de financiamento sem reconhecer, aos docentes, o empenho e a disponibilidade que têm demonstrado», acusa a Fenprof.

De acordo com esta estrutura sindical, as reivindicações destes docentes são pela valorização salarial, aumentos salariais com efeitos a Janeiro e pelo desbloqueamento da progressão da carreira para os educadores em creche.

PS indica Marta Temido para vice-presidente da comissão de revisão constitucional

O PS vai indicar a ex-ministra da Saúde Marta Temido para vice-presidente da comissão eventual de revisão constitucional e apresenta um elenco paritário em que o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, será o último suplente da lista.

A comissão eventual para a revisão constitucional deverá ser empossada na próxima semana e a presidência cabe ao um deputado do Grupo Parlamentar do PSD.

“A escolha de Marta Temido e a presença de Eurico Brilhante Dias na equipa é um sinal da importância que o PS atribui aos futuros trabalhos da comissão eventual de revisão constitucional”, disse à agência Lusa fonte oficial da bancada socialista.

O Grupo Parlamentar do PS escolheu para o lugar de coordenador e de vice-coordenador dois constitucionalistas: Pedro Delgado Alves, antigo líder da JS e vice-presidente da bancada; e Isabel Moreira, que faz parte do Secretariado Nacional deste partido.

Entre os 10 efetivos do PS nesta comissão, estão seis deputadas, entre elas a ex-ministra Alexandra Leitão, Fátima Pinto, Patrícia Faro (em representação das Mulheres Socialistas) e Marta Freitas (em representação da Madeira), além das já referidas escolhas de Marta Temido e Isabel Moreira.

Integram ainda os efetivos António Monteirinho (deputado de um círculo do interior do país), Sérgio Ávila (em representação dos Açores) e Francisco Dinis (em representação da JS).

Já entre os 10 suplentes, o PS indicou seis deputados e quatro deputadas: Anabela Real, Fátima Fonseca, João Paulo Rebelo, Maria Begonha, Miguel Rodrigues, Nelson Brito, Pedro Cegonho, Romualda Fernandes, Sara Velez, Tiago Estevão Martins e Eurico Brilhante Dias.

De acordo com fonte da bancada do PS, com a escolha deste conjunto de suplentes para a comissão a bancada socialista visou reforçar a componente de especialização temática ao longo do processo de revisão constitucional.

“Quando o tema em discussão for administração pública, a ex-secretária de Estado Fátima Fonseca estará presente nos trabalhos. Se o tema for educação, Tiago Estêvão Martins será chamado a ter um papel ativo”, acrescentou o mesmo responsável socialista.

Novo aeroporto. “Deixem que as obras avancem”, apela o presidente da APAVT

Pedro Costa Ferreira avisa que o atraso na decisão sobre o futuro aeroporto para Lisboa pode pôr em risco a liderança e a competitividade do turismo nacional. Acessibilidades aéreas a Lisboa estão numa situação “anacrónica, vergonhosa e incapacitante”.

O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) diz recear que a liderança e a competitividade internacional do turismo seja posta em causa por falta de decisão sobre o futuro aeroporto de Lisboa.

Durante a sessão de abertura do congresso da APAVT, em Ponta Delgada, nos Açores, Pedro Costa Ferreira identificou três desafios para o futuro: o crescimento económico do país, a produtividade das empresas e a liderança e a competitividade do setor do turismo.

Algo que, segundo diz, pode estar em perigo “pela situação anacrónica, vergonhosa e incapacitante das acessibilidades aéreas de Lisboa”

“Sem decisão, não podemos acreditar numa solução que seja implementada nos próximos anos. E não acreditando, resta-nos exigir que façam o que, neste momento, parece ainda possível fazer, que são as obras no aeroporto da Portela, permitindo melhorar a operacionalidade e a eficiência desta infraestrutura”, apelou Pedro Costa Ferreira.

A ANA Aeroportos de Portugal tem um plano para fazer obras que aumentem a capacidade do aeroporto de Lisboa mas a concretização depende de autorização do governo.

O que, até agora, ainda não aconteceu.

Professores em greve. Esperam-se contrangimentos nas escolas de norte a sul do país

A paralisação por tempo indeterminado acontece numa altura em que a tutela está em negociações com os sindicatos.

“Por muita adesão que esta greve tenha, nunca vai tirar tantas aulas a milhares de alunos como tem acontecido com as políticas deste Ministério da Educação”, disse à agência Lusa o coordenador nacional do STOP, André Pestana.

Entre as principais reivindicações estão a contabilização de todo o tempo de serviço, o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões e a possibilidade de aposentação sem penalização após 36 anos de serviço.

Criticam também as alterações recentes ao regime de mobilidade por doença, as ultrapassagens na progressão da carreira docente e reivindicam soluções para os professores em monodocência e uma avaliação sem quotas.

A greve é igualmente uma resposta às propostas do Ministério da Educação para a revisão do regime de recrutamento e mobilidade do pessoal docente, que está atualmente a ser negociada entre a tutela e os sindicatos do setor.

Outra das propostas, que mereceu críticas de várias estruturas sindicais, é a criação de conselhos locais de diretores, que decidiriam sobre a alocação às escolas dos docentes integrados em cada mapa interconcelhio.

Desde o início do ano letivo, os professores já estiveram em greve por duas vezes: no dia 2 de novembro, numa paralisação convocada por sete organizações sindicais, e no dia 18 de novembro, no âmbito da greve nacional da função pública.

Mau tempo. Aviso laranja em Lisboa, Leiria, Setúbal, Santarém e Faro

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tinha elevado, nos distritos de Lisboa, Leiria, Setúbal, Santarém e Faro, os avisos de amarelo para laranja a partir das 00h00 de sexta-feira devido ao mau tempo. Contudo, o alerta foi antecipado para as 19h52 em Lisboa, Setúbal e Leiria.

Segundo o IPMA, os cinco distritos vão estar sob aviso laranja devido ao mau tempo até às 09h00 de sexta-feira, passando, depois, para amarelo, até às 15h00 do mesmo dia.

De acordo com fonte do IPMA, até ao final do dia poderá haver um “alargamento” do aviso laranja a outros distritos.

Nos mesmos distritos, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou o estado de alerta para laranja até às 23:59 de sexta-feira devido às chuvas fortes que se fazem sentir no continente.

De acordo com o ‘site’ da Proteção Civil, pelas 17:40, estavam ainda ativas 62 ocorrências relacionadas com meteorologia adversa, num total de 196 bombeiros e 79 meios.

Em comunicado, a ANEPC salientou que, de acordo com o IPMA, são esperados aguaceiros fortes acompanhados de trovoada nas regiões do Centro e Sul, vento por vezes forte no litoral e terras altas, e agitação marítima com ondas de sudoeste de quatro a cinco metros a sul do Cabo Carvoeiro e na costa sul do Algarve.

Tal poderá levar à ocorrência de inundações em zonas urbanas (por acumulação de águas pluviais por obstrução dos sistemas de escoamento), cheias (potenciadas pelo transbordo do leito de alguns cursos de água), deslizamentos ou derrocadas (motivados pela infiltração da água), arrastamento para as vias rodoviárias de objetos soltos e a formação de lençóis de água ou piso escorregadio.

A ANEPC recorda que o “impacto destes efeitos pode ser minimizado”, nomeadamente através da “adoção de comportamentos adequados” especialmente nas zonas “historicamente mais vulneráveis”, onde recomenda que seja garantida a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais, a adequada fixação de estruturas soltas e um especial cuidado na circulação e permanência junto a áreas arborizadas.

Adotar uma condução defensiva, evitar atravessar zonas inundadas, evitar a prática de atividades relacionadas com o mar e ter especial cuidado na circulação junto a zonas ribeirinhas são também recomendações da ANEPC.

Restauro da muralha e escavação do anfiteatro prioritárias em Conimbriga

O restauro da muralha do Alto-Império de Conimbriga, que tem 2.000 anos, e a escavação do anfiteatro são prioridades do Museu Monográfico local nas próximas décadas, revelou o diretor da instituição, Vítor Dias.

“O estado de degradação, fruto de espoliação secular”, da muralha, a primeira da antiga cidade romana, exige “urgente conservação, restauração e consolidação”, defendeu Vítor Dias em entrevista à agência Lusa, antecedida de uma visita ao sítio arqueológico, no concelho de Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra.

Por outro lado, é preciso “criar condições para iniciar a investigação e escavação do anfiteatro localizado junto à povoação de Condeixa-a-Velha”.

“Para perspetivarmos com sucesso o futuro dos próximos 60 anos do Museu Nacional, impõe-se planear diversas tarefas estruturantes que permitirão às novas gerações consolidar as potencialidades de um vasto campo arqueológico”, adiantou Vítor Dias.

Com uma área de 22 hectares, Conimbriga “harmoniza com o território e a paisagem através da sua materialidade, desde Alcabideque, onde se localiza o Castellum Aquae e o início do aqueduto romano que abastecia a cidade, até ao extremo poente da muralha do Baixo-Império”, de construção mais tardia.

“É estrutural conservar e valorizar o troço do aqueduto que se pode observar ao entrar no museu e que é truncado pela estrada de acesso”, preconizou.

O diretor do Museu Monográfico de Conimbriga aposta também na “conservação e restauro e posterior valorização do Castellum Aquae”, a 3,5 quilómetros de distância.

“Tanto o aqueduto como a muralha são exemplares únicos da materialidade romana no atual território português e documentam a singularidade da paisagem envolvente ao Museu Monográfico de Conimbriga e respetivo campo arqueológico”, disse.

Na sua opinião, “será imperioso destacar ambos, muralha e aqueduto, no discurso museológico”, depois da aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Estes são alguns dos temas “que devem ser debatidos, planeados e iniciados de imediato”, o que reclama “um plano metodológico interdisciplinar e interinstitucional a longo prazo”, segundo Vítor Dias.

“Não se pode omitir Conimbriga de qualquer reflexão para o entendimento da região”, preconizou, ao realçar que o campo arqueológico deve assumir-se como “portal para a região Centro”, tirando partido da sua “relação particular” com o território.

No vale norte de Conimbriga, na “missão de aproximar” o Museu Nacional, que está a comemorar 60 anos, da povoação de Condeixa-a-Velha, importa “escavar na íntegra toda a Casa dos Repuxos (…), acrescentando conhecimento e área musealizada”, propôs o diretor.

“As escavações na fachada norte da Casa dos Repuxos foram retomadas em 2021, volvidos 82 anos da primeira intervenção”, recordou o arqueólogo, indicando que os trabalhos prosseguem no âmbito do Cluster Experimental de Ciência, numa parceria com a Câmara de Condeixa-a-Nova e a Universidade de Coimbra.

Em novembro, o Museu Nacional promoveu uma reunião com outras entidades públicas da região, com o objetivo de “valorizar a centralidade” do sítio, com vista à formalização do projeto “Conimbriga — Portal para a região Centro”.

Além de Vítor Dias, participaram no encontro o diretor-geral do Património Cultural, João Carlos Santos, um representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Joaquim Felício, o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, Jorge Brito, o presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado, e o presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita.

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