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Três novos centros de saúde no concelho de Leiria concluídos este mês

Três novos centros de saúde no concelho de Leiria vão ficar concluídos este mês, num investimento global de 3,7 milhões de euros, anunciou a Câmara Municipal.

Segundo informação enviada à agência Lusa, em julho é finalizada a Unidade de Saúde de Parceiros, Azoia e Barosa (1,6 milhões de euros), a de Bidoeira (868 mil euros) e a Unidade de Saúde de Amor (1,1 milhões de euros).

“Estamos a falar de três obras totalmente novas, de raiz”, afirmou o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, explicando que são financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas tem “uma parte ainda significativa a ser executada pelo município, nomeadamente projetos, aquisição de terrenos e também alguma parte da obra”.

Gonçalo Lopes referiu que o investimento “reforça a importância que o município de Leiria atribui à área da saúde, uma vez que coloca uma parte do seu orçamento também neste tipo de investimento”, salientando ser “uma aposta naquilo que é a melhoria das condições de atendimento na área dos cuidados de saúde primários, muito importante na rede de prestação de saúde”.

“A saúde ocupa hoje um espaço muito importante na estratégia dos municípios, naquilo que é a garantia de qualidade de vida das pessoas, e, portanto, o investimento nestes centros de saúde tem como objetivo a melhoria da prestação de cuidados e também um fator de atração de profissionais”, para que “possam ter as condições ideais para poderem desempenhar as suas funções”, assinalou.

Ainda de acordo com o município, este mandato está prevista também a construção da Unidade de Saúde de Santa Eufémia e Boa Vista, obra de 1,2 milhões de euros, já mapeado no PRR, e as de Pousos e Barreira.

No caso da Unidade de Saúde de Santa Eufémia e Boa Vista, “encerram dois centros de saúde”, esclareceu o autarca.

Com a construção de uma nova unidade nos Pousos encerra a atual, que “tem uma dimensão reduzida” para os habitantes, e vai ser executado uma na Barreira, que “também terá como objetivo aliviar” o centro de saúde Gorjão Henriques, na cidade de Leiria, precisou Gonçalo Lopes.

“Estas são as prioridades que temos para este mandato e prevê-se, possivelmente, a construção no futuro de mais um centro de saúde mais a norte do concelho”, adiantou.

Reconhecendo que não basta ter edifícios novos se não houver médicos, Gonçalo Lopes declarou que “aquilo que deverá ser a estratégia futura na captação de médicos para Leiria passará por uma política mais ativa do município”.

O presidente da Câmara exemplificou com a elaboração do regulamento municipal para atribuição de incentivos à fixação de médicos no concelho que contempla, por exemplo, um apoio mensal de 600 euros mensais para arrendamento durante três anos.

“Por outro lado, também há um esforço acrescido no que diz respeito à criação das tais condições de funcionamento dos próprios cuidados de saúde, investindo não só nos novos edifícios, mas também no apetrechamento e nas condições técnicas de funcionamento”, realçou.

A Câmara de Leiria aprovou, em 19 de junho, o projeto de Regulamento Municipal de Atribuição de Incentivos à Fixação de Médicos de Medicina Geral e Familiar e Médicos Especialistas Hospitalares que visa “contribuir para a melhoria da prestação de cuidados de saúde à população”.

“Tendo em conta a dificuldade em fixar médicos nos serviços públicos no concelho, este regulamento visa incentivar a fixação de médicos de medicina geral e familiar [nos centros de saúde] e médicos especialistas hospitalares do Hospital de Santo André”, divulgou a autarquia.

Operação da Europol sinaliza 82 vítimas de tráfico de seres humanos em Portugal

Uma operação da Europol identificou em Portugal 82 potenciais vítimas de tráfico de seres humanos, revelou hoje o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), acrescentando que oito pessoas foram constituídas arguidas pela prática deste crime.

A operação da agência europeia de cooperação policial decorreu entre 10 e 17 de junho e contou com a participação de 32 países, entre os quais Portugal, onde estiveram envolvidos 132 elementos de várias estruturas: SEF, Polícia Judiciária, GNR e Autoridade para as Condições do Trabalho, refere um comunicado do SEF.

Na sequência das diligências efetuadas em território nacional, foram identificados mais de 400 adultos e 36 menores em 23 locais espalhados pelo país. Foram ainda apreendidos 47 passaportes e 12 autorizações de residência.

O SEF adiantou que, em termos internacionais, a operação identificou 65.839 pessoas e verificou quase 23 mil veículos, tendo sido detidas 21 pessoas e sinalizadas 261 vítimas de tráfico.

A coordenação da Europol – que foi apoiada pelo Eurojust (agência europeia de cooperação judiciária), pela Autoridade Europeia do Trabalho e pela Frontex (agência europeia da guarda de fronteiras e costeira) – mobilizou também a participação de cerca de 27 mil polícias e inspecionou 11.360 locais, nomeadamente restaurantes, explorações agrícolas, casas de massagens e cabeleireiros.

Os resultados desta operação desencadearam já a abertura de 86 novas investigações face aos indícios recolhidos relativamente a alegados suspeitos e vítimas de tráfico de pessoas.

Detido suspeito de atear incêndio em Castelo de Paiva

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem, de 62 anos, suspeito de ter ateado um incêndio florestal a 11 de maio em Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, informou hoje aquele órgão de polícia criminal.

Em comunicado, a PJ esclareceu que deteve, fora de flagrante delito, um indivíduo “fortemente indiciado” pela presumível autoria de um crime de incêndio florestal, ocorrido no lugar do Fojo, União de Freguesias de Raiva, Pedorido e Paraíso, em Castelo de Paiva.

“O local é um terreno florestal composto por eucaliptos e vegetação espontânea, não tendo o incêndio atingido maiores proporções devido à rápida intervenção dos Bombeiros”, refere a mesma nota.

De acordo com a investigação, o incêndio terá sido provocado com recurso a chama direta, não sendo conhecida qualquer motivação para o ato criminoso.

O detido, um serralheiro civil reformado, sem antecedentes criminais, vai ser presente à competente autoridade judiciária para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

Violência doméstica: Prisão preventiva para suspeito de agredir ex-companheira no Fundão

O Tribunal Judicial de Fundão decretou prisão preventiva a um homem, de 32 anos, por suspeita de violência doméstica neste concelho do distrito de Castelo Branco, após a detenção efetuada pela GNR na segunda-feira.

No âmbito de uma investigação por violência doméstica, “os militares da Guarda deslocaram-se ao local, onde apuraram que o suspeito havia exercido violência física e ameaças sobre a vítima, a sua ex-companheira de 32 anos”, afirmou a GNR, numa nota de imprensa enviada hoje à agência Lusa.

A GNR, na sequência da investigação, apurou que o homem “exercia violência física, verbal e psicológica, de forma reiterada, tendo sido dado cumprimento a um mandado de detenção”.

Detido na segunda-feira, o suspeito foi presente a Tribunal, onde lhe foi aplicada a medida de coação de prisão preventiva.

O suspeito foi enviado para o estabelecimento prisional da Covilhã.

A GNR recordou nesta nota que a violência doméstica é crime público e que denunciar é uma responsabilidade coletiva.

Quem precisar de ajuda ou quem tenha conhecimento de alguma situação de violência doméstica pode utilizar o Portal Queixa Eletrónica, em queixaselectronicas.mai.gov.pt; por Via telefónica, através do número de telefone 112; no Posto da GNR mais próximo à sua área de residência, na aplicação App MAI112 disponível e destinada exclusivamente aos cidadãos surdos, em http://www.112.pt/Paginas/Home.aspx; e na aplicação SMS Segurança, direcionada a pessoas surdas em www.gnr.pt/MVC_GNR/Home/SmsSeguranca.

Marégrafo para medir as marés em praia da Figueira da Foz soterrado pela areia

O marégrafo, um instrumento que serve para medir a altura das marés, colocado há sete anos nos penedos de Buarcos, na Figueira da Foz, está hoje praticamente a seco, soterrado pela areia da praia que aumentou de tamanho.

A infraestrutura, conhecida localmente como ‘medroa’ ou ‘pau-de-maré’, construída com três apoios, como se de um tripé se tratasse, e com uma régua em altura com quase cinco metros, foi recolocada em 2016, a várias dezenas de metros da linha de costa, para substituir um equipamento análogo – com cerca de 70 anos e feito com carris de ferrovia – que tinha sido destruído pelo mar.

Depois de uma primeira tentativa, em 2010, rapidamente gorada, a junta de freguesia então presidida por José Esteves, logrou, em 2016, repor a medroa, naquilo que constituiu a satisfação de uma promessa feita aos pescadores pelo autarca.

O então novo marégrafo foi chumbado à rocha, tendo o material necessário sido transportado à mão para os penedos – que ficam fora de água na maré baixa e cobertos pelo mar quando a maré sobe – e os trabalhos, também com a ajuda de uma máquina, ficaram concluídos a 06 de julho daquele ano, há precisamente sete anos.

À Lusa, o antigo presidente da junta, com uma vida ligada ao mar, espanta-se, ainda assim, com a situação atual e não tem dúvidas em culpar as obras de prolongamento do molhe norte do porto da Figueira da Foz. Estas têm provocado o crescimento da praia adjacente (o areal com dois quilómetros de extensão e mais de 700 metros de largura máxima, a maior praia urbana da Europa) e a consequente falta de areia nas praias a sul do rio Mondego.

“O sentimento que eu tenho é de muita mágoa. De revolta não, mas de muita mágoa, por aquilo que estão a fazer à Figueira, aquilo é tudo provocado pela retenção de areias por causa do molhe”, disse José Esteves.

Admitindo que o que diz gera “muita polémica”, o antigo autarca, que esteve três mandatos à frente da junta de freguesia, reafirmou: “Não se faz a uma povoação de eleição o que se tem feito”.

José Esteves explicou aquilo que, na sua opinião, sucede naquela zona dos penedos – a primeira área de rochas, localizada de frente para as muralhas de Buarcos e que se estende para norte, até ao Cabo Mondego.

“Conversei com muitos pescadores e as águas ali vêm sempre um bocado… não é bem norte, é noroeste, nor-noroeste. Correm para ali e depois ficam empatadas. E há solução para aquilo, o homem fez a desgraça na Figueira, agora o homem é que tem de a resolver. Não é partindo, é construindo, e aí talvez se consiga reverter a situação”, observou.

Assim, a solução que preconiza para evitar a acumulação de areia em Buarcos passa, não pela destruição do molhe norte portuário, mas antes pela “retenção de areias a norte”, alegadamente só possível pela edificação de um novo molhe, numa zona “depois da curva do cemitério até ao Cabo Mondego”.

O que José Esteves não tem dúvidas é que em Buarcos e na Figueira da Foz se está a assistir a uma espécie de ‘vingança’ do mar: “No palavreado dos pescadores já é [uma vingança], ‘fizeram-me mal, agora vão levar com o mal que me fizeram”, ilustrou, como que citando o próprio oceano.

O antigo autarca lembrou, por outro lado, que a zona onde o marégrafo está soterrado é conhecida pelas Portas de Buarcos, por ser por ali, ao lado da medroa, que os pequenos barcos de pesca chegavam à praia, onde depois ficavam.

“Está tudo destruído e tudo por culpa dos cargueiros”, lamentou.

A medroa, hoje já fora da rebentação, é apenas banhada pelo mar, a espaços, na maré cheia, e possui uma escala (de 20 em 20 centímetros) que começava nos 1,4 metros (a altura da rocha onde está localizada) até aos 4,6 metros. Na altura, no seu topo, foi colocada uma bandeira nacional, quatro dias antes de Portugal se sagrar campeão europeu de futebol.

Entretanto, a rocha da base desapareceu, ‘engolida’ pela areia, sendo atualmente visível, apenas, a marca dos 3,2 metros, no fundo a altura que a praia subiu em sete anos e uns restos de pano verde da bandeira de Portugal.

Com a acumulação de areia em altura veio o crescimento da praia, estimado por José Esteves, “em mais de 100 metros”, numa faixa aproximada de 300 metros.

Por junto, são cerca de 90 mil metros cúbicos de areia a mais em Buarcos, o equivalente a 6.000 camiões carregados de sedimentos ali depositados.

Luís Rocha, 71 anos, de Alva, concelho de Castro Daire, distrito de Viseu, faz férias em Buarcos há 15 anos. Como habitualmente, chegou à praia logo de manhã cedo, mas, este ano, confessou à Lusa ter notado algo diferente no areal.

“Estou a achar um bocado estranho. O ano passado estive cá e este ano achei uma modificação quase a 100%, aquilo [o marégrafo], o ano passado, estava completamente descoberto, hoje as pessoas até se podem lá sentar”, afirmou.

Mas não se trata só da medroa soterrada pela areia, também o acesso à beira-mar, pela areia fora, segundo Luís Rocha, está “mais difícil” e “complicado” para idosos e pessoas com dificuldades em caminhar, face ao crescimento da praia.

Grupo tenta matar homem em Lisboa devido a “desavenças familiares”

Polícia Judiciária já deteve os seis suspeitos, com idades compreendidas entre os 20 e os 48 anos.

Seis homens, com idades compreendidas entre os 20 e os 48 anos, foram detidos por suspeitas de terem tentado matar um outro homem, de 34 anos, no dia 1 de junho, em Lisboa, num contexto de “desavenças familiares”, revelou a Polícia Judiciária (PJ), esta quinta-feira, num comunicado enviado à TVC.

De acordo com os inspetores, o grupo, “munido com armas de fogo”, fez com que a vítima saísse da sua residência para disparar contra ela, atingindo-a com dois tiros.

Os disparos provocaram ao homem lesões graves e só não o mataram, segundo a PJ, devido à rápida assistência médica.

Após o crime, os suspeitos colocaram-se em fuga, sendo detidos agora. Alguns em Lisboa e outros no Algarve.

Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial nas próximas horas para aplicação das medidas de coação tidas como adequadas. Além do crime de homicídio na forma tentada, o grupo vai responder pelo crime de detenção de arma proibida.

Homem detido por tentar passar munições por rx do Aeroporto de Lisboa

Questionado sobre a posse das munições, o indivíduo declarou serem suas, bem como ser possuidor de uso e porte de arma no seu país.

Um homem de 30 anos foi detido na manhã de domingo, no Aeroporto de Lisboa, por ser suspeito da prática do crime de posse várias munições, informa um comunicado enviado às redações pela Polícia de Segurança Pública (PSP).

“O suspeito, passageiro de um voo, foi abordado pelos polícias depois de, no rastreio de bagagem de cabine no rx, se perceber poder existir objetos proibidos”, pode ler-se na nota citada. Tal facto motivou a apreensão de 15 munições de 9 mm.

Questionado sobre a posse das munições, o indivíduo declarou serem suas, bem como ser possuidor de uso e porte de arma no seu país.

Foi dada, de imediato, voz de detenção ao suspeito, que foi depois constituído arguido e sido sujeito à medida de coação de termo de identidade e residência.

“Confrontado com a possibilidade da suspensão provisória do processo, mediante o pagamento de 1,5 (unidade e meia) de conta no valor de 153 euros, o suspeito concordou efetuar o pagamento do respetivo montante, a qual por sua opção vai reverter a favor da Instituição ‘Acreditar'”, concluiu o comunicado.

Recriação histórica recorda Revolta do Milho em Leiria 80 anos depois 

A Revolta do Milho, um episódio de resistência popular ao Estado Novo que levou à prisão de 14 pessoas em Peniche, em 1942, é recordado numa recriação histórica no sábado, na localidade de Vale da Pedra, no concelho de Leiria.

No lugar de Estremadouro, em Vale da Pedra, localizada na União das Freguesias do Souto da Carpalhosa e Ortigosa, em maio de 1942 um grupo de pessoas dali, da Bajouca e de Monte Redondo opôs-se à entrega de mil quilos de milho, imposta pelo racionamento relacionado com a II Guerra Mundial.

Em consequência, 36 pessoas foram presas, 14 das quais acabaram condenadas pelo crime de sedição, passando um ano na cadeia do Forte de Peniche.

Entre esses 14, estavam Maria de Jesus e Teresa Marques, “as únicas mulheres detidas na Prisão de Peniche, uma prisão masculina”, recordou o município de Leiria, a propósito da estreia da recriação histórica “A revolta do milho”, que celebra 80 anos passados sobre a libertação, em 29 de junho de 1943, dos envolvidos na sublevação.

A peça está a ser preparada há vários meses, com produção do grupo “O gato”, e participação de elementos das estruturas Manipulartes, CaosArte e Teatro de Animação de Santa Eufémia, além de 16 habitantes locais, alguns dos quais familiares de revoltosos.

É o caso de Maria Emília Duarte, neta de Maria do Outeirinho, uma das mulheres que lideraram a insurreição, mas nunca detida, porque conseguiu fugir.

“Quando soube, achei interessante e quis saber mais sobre a minha avó”, que “sofreu muito, porque era mãe solteira, e deixou para trás o meu pai, que tinha 13 anos”, contou à agência Lusa, no final de mais um ensaio.

Maria Emília, que faz de escrivã e de figurante na recriação, lançou-se numa investigação que a levou até à Torre do Tombo, onde teve acesso ao processo da Revolta do Milho. O documento esclareceu dúvidas entre a comunidade e ajudou Fernando José Rodrigues na criação da dramaturgia.

“Esta é uma história dorida, dramática e que, sobretudo, nos faz repensar como eram os tempos naquela altura”, contou o dramaturgo e encenador.

Em “A revolta do milho”, destaca-se “o papel fundamental das mulheres”, recordando as presas em Peniche.

“Elas sentiam uma grande diferença para o que era estar aqui [em Vale da Pedra], com as galinhas e tudo o resto. No Forte de Peniche, uma prisão só de homens, tinham a agressão das águas a bater no ‘forte das gaivotas’, como lhe chamavam. Era a loucura das águas, como se diz a determinada altura na peça”, antecipou Fernando José Rodrigues.

Para a recriação histórica foi fundamental José Teotónio. Por “dever de memória”, foi dele a ideia de fazer uma peça de teatro sobre a Revolta do Milho.

“Pensei: o que posso fazer para que isto perdure na memória das pessoas?”. Lembrou-se do teatro, “com participação popular”. E ele, David Ferreira e Marco Domingues apresentaram uma proposta que venceu o orçamento participativo de Leiria e que financia a produção.

O objetivo principal “já foi conseguido, felizmente”: a história, “que deixou marcas profundas”, foi “sendo ocultada, escondida, contada em surdina na família” durante décadas. Mas agora é tema de conversa todos os dias.

José Teotónio espera que “daqui a 20 anos se fale nos 100 anos. E que daqui a 70 anos se fale nos 150 [da Revolta do Molho]. É essa a semente que eu e todos os outros queremos deixar”. 

“A revolta do milho” é apresentada no sábado, a partir das 21:30, no largo da Igreja de Vale da Pedra.

Para José Teotónio, há ainda outro motivo para elevar o exemplo de coragem das gentes da terra.

“Aquilo que se passou em Abril de 1974, teve a génese em muitos movimentos destes que se passaram no país. Foram muitos movimentos populares de resistência e de confronto com autoridades brutais que fizeram com que o 25 de Abril pudesse acontecer. É importante celebrar estes pequenos momentos, que depois permitiram a vitória da democracia sobre um regime autoritário”.

EDP e Navigator instalam maior central solar para autoconsumo da elétrica no país

A Navigator escolheu a EDP Comercial para a instalação do maior parque solar para autoconsumo da elétrica no país, de 17 Megawatts (MWp), no complexo industrial da produtora de papel, na Figueira da Foz, foi hoje anunciado.

“Quando instalado, o parque solar terá o tamanho de 17 campos de futebol e será o maior para autoconsumo da EDP em Portugal. Terá capacidade para produzir 26 GWh [Gigawatts-hora] de eletricidade por ano, a energia renovável que seria suficiente para fornecer anualmente cerca de 10.500 famílias”, informou a EDP, em comunicado, sobre o contrato com a The Navigator Company para instalação de 26.000 painéis solares no complexo da produtora de papel na Figueira da Foz, distrito de Coimbra.

Segundo a mesma nota, o projeto vai evitar a emissão de mais de 7.000 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano.

“Além da sua dimensão, esta central distingue-se também pelo seu caráter inovador no panorama nacional, sendo uma das primeiras a utilizar painéis solares com módulos bifaciais, uma tecnologia que permite que ambos os lados do painel retenham luz solar, aumentando até 30% a capacidade do parque”, referiu a EDP.

O administrador executivo da Navigator, citado no comunicado, apontou que “a energia solar é uma vertente muito importante na estratégia de descarbonização da companhia, que, em 2030, pretende que 80% da energia primária consumida seja de origem renovável”.

Já a administradora executiva da EDP Vera Pinto Pereira realçou que “este projeto, o maior da EDP em Portugal até à data, vai dar um contributo relevante para a descarbonização daquela indústria e zona do país”.

Os projetos de energia solar descentralizada, tanto em casas particulares como em edifícios empresariais, são um dos principais eixos de crescimento na estratégia da EDP para os próximos anos.

Arouca com mais vagas para crianças e idosos do Burgo após investimento do PARES

A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social assinala hoje em Arouca o fim de duas obras que, financiadas pelo PARES – Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais, aumentaram as vagas locais para bebés e idosos.

Em causa estão três valências do Centro Social e Paroquial de São Salvador do Burgo, a começar pela sua creche, que, segundo a direção dessa estrutura do distrito de Aveiro, foi ampliada em 2022 para aumentar a respetiva lotação de 30 para 42 crianças, num investimento aproximado de 64.000 euros, e mesmo assim não satisfaz a “procura galopante” gerada no concelho após a implementação da gratuitidade do serviço para determinadas famílias.

Já no que se refere à população sénior, são duas as estruturas da referida instituição de Arouca que, funcionando no mesmo edifício, estiveram até esta quarta-feira sujeitas a obras de requalificação num valor total de cerca de 15.000 euros: o centro de dia, que assim vê aumentada a sua capacidade de 30 para 37 utentes, e o serviço de apoio domiciliário, cuja lotação passará de 30 para 40 pessoas.

Luís Ribeiro, presidente do Centro Social e Paroquial de São Salvador do Burgo, realça, contudo, que as novas vagas só ficarão disponíveis “no futuro, quando forem assinados os respetivos protocolos de cooperação com a Segurança Social”, pelo que declara à Lusa: “Espero que o processo atual não demore tanto como aconteceu com a creche, que ficou pronta em maio e só teve o acordo assinado no final do ano”.

As obras nas três valências da instituição foram comparticipadas pelo Estado ao abrigo das edições 2.0 e 3.0 do PARES, viabilizando a rentabilização espacial dos dois edifícios em causa “até ao limite máximo da sua capacidade”.

Ainda assim, mais vagas “seriam sempre bem-vindas”, porque, tanto na creche como nos serviços para a comunidade sénior, “tudo faz falta, sobretudo num meio mais rural como Arouca, onde as pessoas tanto precisam de ter onde deixar os filhos, para ir trabalhar, como de ter a quem confiar os pais, que já não podem viver sozinhos”.

A pensar noutra comunidade desfavorecida, o mesmo Centro Social tenciona ainda construir de raiz um lar residencial para cidadãos com deficiência, mas o presidente dessa instituição da Área Metropolitana do Porto antevê dificuldades na concretização do projeto.

“Os preços que o PARES definiu por metro quadrado já eram baixos há uns anos, mas agora estão completamente desatualizados face às consequências da pandemia e à inflação gerada pela guerra”, explica Luís Ribeiro, antes de concluir: “Se não houver uma atualização dos valores de referência, muitos projetos importantes vão ficar pelo caminho, por não terem meios para se concretizar”.

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